Oposição rejeita diálogo com governo na Bolívia

Principal partido opositor se nega a participar de reunião sobre autonomia convocada pelo Congresso

Ansa,

27 de maio de 2008 | 18h46

O Poder Democrático e Social (Podemos), o principal partido de oposição da Bolívia, reiterou nesta terça-feira, 27, sua recusa para participar na quarta da reunião convocada pelos governistas no Congresso, para negociar uma forma de compatibilizar o projeto da nova Constituição e os estatutos autonômicos. Veja também:Morales diz que conspiração contra ele continua Segundo o Podemos, "o diálogo será improdutivo" se não participarem o governo e o governadores departamentais, e se não for reconhecida a validade das consultas sobre os estatutos autonômicos de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija. Ainda que o governo tenha se declarado disposto a negociar qualquer outro tema, além de mudanças constitucionais, o Podemos exige restituição às regiões de um imposto sobre hidrocarbonetos que estava em vigor há três anos. "É de fundamental importância conhecer sobre que base o MAS (Movimento ao Socialismo) está disposto a trabalhar para redigir um novo texto constitucional, que mereça o consenso da imensa maioria dos bolivianos e a aceitação de todas as regiões", diz uma carta do Podemos ao vice-presidente Álvaro García Linera, que convocou a reunião. Há uma semana, parlamentares do MAS e dos opositores Unidade Nacional e Movimento Nacionalista Revolucionário acordaram reunir-se desde hoje para trabalhar em busca de compatibilizar o projeto de constituição e os estatutos autonômicos departamentais. Governo e oposição pediram então ao Podemos que se junte a esse diálogo para destravar a crise em torno das mudanças constitucionais, quando as autoridades de quatro departamentos, de oposição ao governo federal, estão empenhadas em levar adiante seus regimes autonômicos. Após a consulta sobre o estatuto de Santa Cruz em um referendo em 4 de maio, considerado ilegal pelo governo, em 1º de junho serão realizadas consultas sobre os estatutos de Beni e Pando e em 22 de junho em Tarija. Os governadores desses departamentos anunciaram que participarão do diálogo quando estiverem concluídas as consultas, que o governo considera ilegais porque a atual constituição não contempla as autonomias departamentais.

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