Oposição venezuelana abre campanha contra reforma de Carta

Primeiro ato opositor desde convocação de referendo reúne milhares para 'impedir' reforma da Constituição

Efe

03 de novembro de 2007 | 23h36

A oposição ao governo de Hugo Chávez convocou a população da Venezuela neste sábado, 3, a "sair às ruas" para defender a democracia e rejeitar o referendo convocado para o dia 2 de dezembro sobre uma reforma constitucional impulsionada pelo presidente.   Leia a íntegra: REFORMA DE LA CONSTITUCIÓN DE LA REPÚBLICA BOLIVARIANA DE VENEZUELA   Veja Também Referendo sobre reforma será em dezembro   No primeiro ato opositor desde a oficialização da convocação, na sexta-feira, 2, dirigentes políticos afirmaram perante milhares de seguidores reunidos em uma avenida do centro-oeste de Caracas que o dilema nacional "não é votar ou não votar" no referendo, mas sim "impedir" a reforma "inconstitucional" que impulsiona o "ilegítimo" governo de Chávez.   "Não se trata de votar ou não votar, trata-se de impedir, de sair às ruas, de restaurar a ordem ético e moral da República", disse o dirigente opositor e advogado constitucionalista Hermann Escarra.   O projeto, que foi aprovado pela Assembléia Nacional venezuelana por maioria esmagadora na sexta-feira, propõe a reformulação de 69 dos 350 artigos da Carta Magna de 1999. Fruto de uma proposta do Executivo, o novo conjunto de leis propõe mudanças que vão da diminuição da jornada de trabalho à possibilidade de reeleição indefinida do presidente.   Entre outras medidas que incomodam a oposição, o projeto prevê a criação de novas modalidades de propriedade, redefine a divisão territorial do país e permite a supressão da liberdade de informação e de acesso a processos judiciais caso o estado de exceção seja estabelecido.   Mas de todas as propostas, a que mais causa polêmica é a que permite ao presidente candidatar-se à reeleição quantas vezes achar necessário. Escarrá - ex-governista, ex-membro da Assembléia Constituinte que redigiu a Constituição vigente e dirigente do Comando Nacional da Resistência (CNR) - anunciou que o CNR dará a conhecer nos próximos dias um plano de ação contra a reforma.   O advogado disse que a reforma de Chávez contém normas "que só aparecem em algumas legislações alemãs e italianas em tempos do fascismo", e "copia" a Constituição cubana em assuntos como a limitação à propriedade privada.   Chávez e seus seguidores afirmam que a reforma servirá para consolidar o estabelecimento do socialismo na Venezuela.   O governo convocou para domingo, 4, uma "grande marcha" em Caracas a favor da reforma, no primeiro ato governista da campanha pelo "sim" no referendo.   Nova York   Não foi só em Caracas que a oposição a Chávez se manifestou neste sábado. Em Nova York, um grupo de venezuelanos realizou um protesto em frente ao consulado do país.   Participaram da manifestação representantes das entidades Conselho Internacional Venezuelano para a Democracia (CIVD), Social Artistry Venezuela (Save) e Resistência Civil de Venezuelanos no Exterior (Recivex).   Uma das coordenadoras da manifestação, Eglos Broslar, disse à agência Efe que o evento foi organizado "em protesto ao fato de Chávez estar fazendo mais do que mudar a Constituição", declarando que essas reformas permitirão ao presidente venezuelano "sua reeleição ilimitada".   Os menos de 100 manifestantes carregavam bandeiras da Venezuela e cartazes que diziam "Não à reforma de Chávez" e "Chávez, chegou a sua hora" em inglês e em espanhol.   Durante o ato, as entidades distribuíram um comunicado no qual afirmam que "a chamada reforma constitucional (...) irá consolidar um regime ditatorial, militarizado, centralizado e dono absoluto das riquezas nacionais". "Passaremos a fazer parte do insípido e triste paraíso cubano, essa sociedade miserável e escrava que teve que suportar durante meio século o sanguinário ditador Fidel Castro", opinou o presidente da Save, Manuel Kohn.   O comunicado também considera os protestos feitos nos últimos dias na Venezuela por grupos de estudantes como sendo "o ponto de partida desta mobilização cidadã, de um verdadeiro tsunami social e político que terminará com o pesadelo representado por Hugo Chávez".  

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