Oposição venezuelana acusa governo de vingança pós-eleitoral

A oposição da Venezuela acusa as instituições estatais de intimidar e ameaçar demitir funcionários críticos do presidente do país, Nicolás Maduro, depois de uma disputada eleição que provocou uma onda de protestos violentos no país.

BRIAN ELLSWORTH, Reuters

24 de abril de 2013 | 17h42

Os adversários do governo estão indignados com duas gravações que parecem mostrar funcionários de alto escalão prometendo demitir trabalhadores que apoiem o líder opositor Henrique Capriles, que perdeu por uma estreita margem a eleição presidencial para suceder Hugo Chávez, morto em março.

O Executivo nega e responsabiliza Capriles pelos distúrbios que deixaram oito mortos, dezenas de feridos e vários edifícios públicos danificados, segundo informação oficial, diante de sua negativa em reconhecer os resultados.

Uma integrante da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática disse à Reuters que recebeu até o momento mais de 2 mil queixas de assédio em ambiente de trabalho, das quais 300 se referiam a demissões por motivos políticos.

"Não aceito militantes de partidos fascistas", disse o ministro da Moradia, Ricardo Molina, em um vídeo do que parecia ser uma reunião com o pessoal da instituição.

"Quem quiser ser militante (do partido opositor) Vontade Popular do fascita Leopoldo López, que renuncie, porque se não renunciar eu mesmo vou expulsar", concluiu, referindo-se a um conhecido líder opositor e aliado de Capriles.

Um funcionário do gabinete disse que Molina não tinha comentários a fazer sobre o vídeo no momento.

Maduro manteve Molina no cargo quando anunciou o seu primeiro gabinete no domingo, um dia depois que a gravação começou a circular na Internet.

A onda de acusações de discriminação ocorre após violentos protestos da oposição exigindo uma recontagem total dos votos da eleição de 14 de abril vencida por Maduro por uma vantagem inferior a 2 pontos percentuais.

Em outra gravação amplamente difundida na rede, um funcionário do Estado de Zulia teria dito a empregados de seu gabinete que tinha conhecimento de quem havia apoiado Capriles.

"Vou dizer, vamos expulsá-los", disse uma gravação de áudio atribuída a Leonet Cabezas, funcionário de esportes do governo de Zulia. "Não temos cara de idiota, nós os identificamos e vamos tirá-los."

Cabezas disse mais tarde a um jornal local que seu gabinete não demitiria ninguém e acusou quem publicou a gravação de buscar "distúrbios".

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