Carlos Garcia Rawlins/REUTERS
Carlos Garcia Rawlins/REUTERS

Oposição venezuelana descarta diálogo e pede nova votação 

Por ordem do governo, local de voltação mudou de última hora; MUD alega falta de transparência

O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2017 | 03h17

CARACAS - Depois de um domingo de eleições novamente polêmicas, a oposição ao governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro reivindicou auditoria na apuração das urnas e nova votação. O governo venceu em 75% dos Estados, mas a oposição alega que não houve transparência. 

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Os candidatos da ala de Maduro, que governavam 20 Estados, continuarão à frente de 17. Nas eleições de domingo, cidadãos votaram o governo de 23 Estados. 

"Não aceitaremos nenhum processo de exploração, conversação ou negociação. Até o momento não houve validação internacional dos votos", anunciou Angel Oropeza, à frente do partido oposicionista, Mesa da Unidade Democrática (MUD).  Outros líderes opositores se manifestaram ao afirmar que aparatos leais ao governo Maduro tentaram atrasar ou impedir a votação. 

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O ex-candidato presidencial Henrique Capriles afirmou mais de 10 mil eleitores, de diferentes Estados, aguardavam em filas para votar, mas foram enviados para outro centro, que, segundo o opositor, não tinha capacidade de atender a todos. 

Estados Unidos, França e União Europeia votlaram a expressar preocupação diante da "ausência" de eleições livres. 

"Convocamos o povo e o mundo para lutar por um novo sistema eleitoral e pela convocação, urgente, de eleições libres e transparentes", acrescentou Oropeza. 

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE), acusado pela MUD de servir ao governo, assegura que as eleições foram transparentes. Maduro, por sua vez, já deu seu apoio a um auditoria. 

Em setembro, o governo de Maduro e a MUD chegaram a iniciar um diálogo em setembro, mas a própria MUD voltou atrás após considerar que nao havia condições de continuar a tentativa de acordo.

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Apoio internacional

A oposição solicitiou o "apoio de parlamenos e governos de todo o mundo" para presionar Maduro. Os Estados Unidos, que já impôs sanções à Venezela, disse estar certo que as eleição não foram nem livres e nem justas. 

Diego Moya-Ocampos, da consultoria IHS Markit, com base em Londres, opina que "a opção do diálogo e das decisões via eleição estão cada vez mais distantes da realidade". Para ele, os protestos nas ruas voltarão a acontecer, assim como as manifestações da comunidade internacional. "Isso vai provocar mais sanções e mais isolamento da Venezuela, que dependerá ainda mais da China e da Rússia.

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Objetivo 

A MUD quer recompor suas forças após ter fracassado em seu principal objetivo, que era tirar Maduro do poder por meio de pressão. No entanto, 125 pessoas morreram em meio aos protestos na rua entre maio de julho deste ano de 2017. Parte dos seguidores oposicionistas estão frustrados e optaram por não votar, em um manifesto contra algumas ações da ala opositora. 

Analistas e consultores observam que, apesar da impupolaridade de 80%, devido, sobretudo, à crise econômica instalada  no país, Maduro ganhou as eleições. Para Luis Vicente León, diretor da consultoria Datanálisis, , os chavistas ganharam porque se unidram, enquanto a oposição estava partida e desanimada.

Mesmo com o diagnóstico, León acredita que esta eleição de domingo não foi transparente. "Esse resultado seria impossível em uma votação de fato competitiva". /AFP, REUTERS e EFE

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