AP Photo/Fernando Llano
AP Photo/Fernando Llano

Opositor de Maduro é liberado após ser preso na Venezuela

Na sexta-feira, Juan Guaidó se declarou presidente do país e pediu ajuda dos militares para derrubar o presidente Nicolás Maduro

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2019 | 15h03
Atualizado 14 de janeiro de 2019 | 11h52

CARACAS - O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, o opositor Juan Guaidó, foi preso neste domingo, 13, por agentes do Serviço de Inteligência Bolivariana (Sebin), em uma estrada que liga Caracas a La Guaíra, no norte do país, onde ele era esperado para uma reunião. O deputado foi solto cerca de uma hora depois.

Segundo a mulher de Guaidó, Fabiana Rosales, eles foram interceptados por duas caminhonetes do Serviço de Inteligência (Sebin) “com armas longas e homens encapuzados”, e o obrigaram a descer do veículo em que viajava. “Não bateram nele, mas nos disseram que tinham de levá-lo detido imediatamente. A ditadura não poderá dobrar seu espírito de luta”, disse antes da libertação.

Um vídeo que mostra a ação foi divulgado no Twitter pelo partido Vontade Popular, fundado por Guadó e Leopoldo López, que faz oposição ao presidente Nicolás Maduro

 


A Sebin não deu justificativa para a detenção. Maduro também não se manifestou.Mas o governo venezuelano buscou se dissociar da detenção, ao afirmar que se tratou de uma decisão “unitaleral” de funcionários da Sebin. “Soubemos que ocorreu uma situação irregular, em que um grupo de funcionários, agindo de forma unilateral, realizou um procedimento irregular contra o deputado Juan Guaidó”, disse o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, em declaração na TV oficial.

Na sexta-feira, Guaidó declarou que poderia assumir a presidência de forma interina, por considerar que a posse de Maduro, no Tribunal Supremo de Justiça, constitui uma “usurpação”.

De acordo com Guaidó, a reeleição de Maduro, cujo novo mandato deve durar até 2025, infringiu três artigos da Constituição de 1999. Por isso, para restituir a ordem constitucional, pediu aos cidadãos e especialmente às Forças Armadas que não reconheçam o novo mandato do presidente.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, um crítico de Maduro, chamou Guaidó de “presidente interino” da Venezuela e apoiou sua decisão no Twitter. Ontem, ele descreveu o incidente como um sequestro. “A comunidade internacional deve parar os crimes de Maduro e seus asseclas”, disse.

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se manifestou por meio do secretário de Estado, Mike Pompeo. “Denunciamos a detenção arbitrária do Presidente da Assembleia Nacional Juan Guaidó pelo chefe da Inteligência venezuelana Manuel Cristopher Figuera”, afirmou Pompeo. “Convocamos as forças de segurança a respeitarem a Constituição e os direitos do povo venezuelano. Os Estados Unidos e o mundo estão assistindo.”

O chavismo não reconhece o Parlamento, de maioria opositora, eleito em 2016. Para o governo, é a Assembleia Constituinte, chavista, formada após eleições convocadas por Maduro em 2017, quem tem poderes legislativos. 

No fim do dia, Guaidó chegou em Caraballeda, Estado de Vargas, aclamado por centenas de seguidores. “Uma mensagem a Miraflores (o palácio presidencial): o jogo virou, o povo está nas ruas, aqui estão os símbolos da pressão, da resistência, da força”, disse no comício. “Tentaram me algemar, mas não permiti. Se queriam enviar uma mensagem para que nos escondêssemos, aqui está a resposta do povo.”

O deputado convocou uma “grande mobilização em todos os cantos da Venezuela” no dia 23. A data remete a 23 de janeiro de 1958, quando caiu a ditadura militar de Marcos Pérez Jiménez. / AFP e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.