Opositores bolivianos fecham a fronteira com o Brasil

Grupo ocupa limite entre os 2 países e expulsam funcionários cubanos e venezuelanos que trabalham na região

Efe,

08 de setembro de 2008 | 15h24

Grupos de opositores ao presidente da Bolívia, Evo Morales, fecharam nesta segunda-feira, 8, as fronteiras com o Brasil na região de Santa Cruz (leste) e anunciaram a expulsão dos voluntários e funcionários cubanos e venezuelanos que trabalham no departamento (estado) autonomista. "As saídas para o Brasil e os postos alfandegários estão fechados, e os escritórios de migração foram tomados", disse o presidente da União Juvenil de Santa Cruz (UJC), David Sejas.  Veja também:Evo acusa EUA de organizarem opositores  Ainda segundo o líder, a medida será "radicalizada" com sua extensão às outras regiões opositoras. Segundo Sejas, não estão descartadas a ocupação de aeroportos e o corte nas exportações de gás ao Brasil e à Argentina. Com os bloqueios de estradas nas regiões de Santa Cruz, Beni, Tarija e Pando, a oposição exige que o governo volte a liberar os recursos provenientes de imposto sobre petróleo destinado a financiar benefícios a maiores de 60 anos. Essas ações, que em alguns casos derivaram em ocupações violentas de instituições estatais e em interrupções de rodovias, são impulsionadas pelos governadores e por líderes civis dos quatro departamentos de maioria opositora. Há 15 dias, o bloqueio de estradas no leste e no sul da Bolívia provocou uma grave crise no fornecimento de combustíveis nas quatro regiões. Em Beni, os líderes civis disseram que nas próximas horas "não permitirão" as saídas para o Brasil "por Guayaramerín", ao passo que, em Pando, as pontes Internacional e da Amizade, que fazem ligação com o território brasileiro, também foram fechadas, informou a imprensa local.  "Faremos todo o possível para que restituam o IDH, reconheçam a autonomia departamental", e para que o governo "detenha essa Constituição (...) que quer nos impor", disse Sejas. O ativista lembrou que na quarta-feira termina a "trégua" de 72 horas dada pelas organizações civis, após a qual as medidas de pressão serão intensificadas.   Petrobras A diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, disse nesta segunda que a estatal "confia plenamente" na entrega do gás natural boliviano por parte da Bolívia e "neste momento não prepara qualquer plano de contingência para um eventual corte do produto".  Hoje o Brasil recebe o volume máximo contratado, de 31 milhões de metros cúbicos diários, o que corresponde à metade do mercado nacional. A maior parte do gás importado abastece as indústrias de São Paulo. "É preciso frisar que a Petrobras não está preocupada com a manutenção deste fornecimento. Não conhecemos supridores mais confiáveis do que os bolivianos. Eles são precisos", disse Graça após participar de evento no Rio, no qual a imprensa foi impedida de entrar.  Ela lembrou que o país tem um plano de contingência preparado desde 2004, quando houve risco de o Brasil ficar sem o abastecimento do gás boliviano. Segundo a diretora, o plano prevê que a Petrobras opere com maior folga no gasoduto e reduza o consumo próprio do combustível em suas refinarias e unidades de fertilizantes. Sem dar maiores detalhes, ela disse que há hoje condições de uma eventual falta ser administrada.   Crise Na semana passada, a oposição regional na Bolívia anunciou que radicalizará os protestos contra o governo e "não se responsabilizará" se as exportações de gás natural para a Argentina e o Brasil forem interrompidas, em rejeição à convocação do referendo sobre o nova Constituição feita pelo presidente Evo Morales. No mês passado, vários líderes da região do Chaco haviam anunciado a tomada de gasodutos e campos de extração de hidrocarbonetos.  Além de protestar contra o novo projeto de Constituição que Evo quer levar a referendo, as manifestações têm como objetivo exigir o reconhecimento das autonomias regionais, aprovadas em consultas populares nos Departamentos de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando. Além disso, os opositores exigem que o governo lhes restitua parte dos impostos sobre os hidrocarbonetos que eram repassados aos governos locais e foram confiscados em janeiro para financiar uma pensão para idosos.  Com Kelly Lima, da Agência Estado

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