Opositores cubanos denunciam prisões antes de evento de protesto

Dissidentes cubanos denunciaram nesta quarta-feira a ocorrência de detenções e ameaças para impedir que celebrem o primeiro aniversário da morte do prisioneiro Orlando Zapata, visto como "mártir" pela oposição ao governo comunista.

REUTERS

23 de fevereiro de 2011 | 13h20

A morte de Zapata em 23 de fevereiro de 2010, depois de quase três meses de greve de fome, intensificou a pressão internacional sobre Cuba e levou o presidente Raúl Castro a fazer um trato com a Igreja Católica para a soltura de meia centena de presos políticos.

"Até a tarde de terça-feira, pelo menos 40 opositores tinham sido detidos preventivamente para que não participassem do evento em memória de Zapata," disse o líder da Comissão Cubana de Direitos Humanos, Elizardo Sánchez.

"Além disso foram feitas cerca de 50 prisões domiciliares ilegais. Ou seja, as autoridades policiais avisaram as pessoas de que estão proibidas de sair à rua."

Pedreiro que se converteu em dissidente enquanto cumpria sentença por delitos comuns, Zapata converteu-se em símbolo da oposição cubana.

Depois de sua morte as autoridades libertaram 46 presos políticos cuja soltura era pedida pela Anistia Internacional, a maioria sob a condição de que se exilassem na Espanha.

Seis deles que se negaram a sair do país continuam atrás das grades, mas a Igreja Católica assegura que serão libertados.

As libertações foram aplaudidas pelos EUA e a União Europeia, que enxergam a existência de presos políticos como obstáculo para a normalização de suas relações com Cuba.

Cuba diz que os dissidentes são "mercenários" a serviço de seu inimigo, os EUA, e que os presos políticos são criminosos comuns.

O presidente Raúl Castro advertiu que apesar das libertações, não serão toleradas manifestações públicas.

O dissidente Guillermo Fariñas, que depois da morte de Zapata fez greve de fome por mais de quatro meses, multiplicando a pressão sobre o governo cubano, disse que estava "sitiado" em sua casa, em Santa Clara, 270 quilômetros a leste de Havana.

"Ontem veio um capitão e me advertiu de que não seria permitido nenhum tipo de atividade, nem dentro das casas nem fora. Disse que isto não será uma peça a mais no dominó das manifestações no Oriente Médio", disse Farinãs pelo telefone.

Em troca, as autoridades permitiram que a mãe de Zapata, detida por algumas horas na semana passada depois de uma discussão com a polícia, e uma dezena de outros familiares fizessem uma passeata até o túmulo de seu filho, no cemitério de Banes, a 800 quilômetros a leste da capital.

(Reportagem de Nelson Acosta e Esteban Israel)

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