Ordem 'injusta e egoísta' prejudica integração, diz Raúl Castro

Presidente cubano transmite as saudações do "companheiro Fidel" durante cúpula do Mercosul na Bahia

Denise Chrispim Marin, Tânia Monteiro e Roberto Lameirinhas, O Estado de S. Paulo

16 de dezembro de 2008 | 13h49

O presidente de Cuba, Raúl Castro, afirmou nesta terça-feira, 16, que a crise internacional foi o resultado de uma "ordem econômica injusta e egoísta" e é um obstáculo para a integração econômica da América Latina. Em sua participação na reunião de cúpula do Mercosul, Raúl transmitiu as saudações do "companheiro Fidel", seu irmão, de quem recebeu oficialmente a condução do país no ano passado, depois de quase 50 anos de governo. Ao contrário de Fidel, conhecido por longos pronunciamentos, Raúl leu um brevíssimo discurso, no qual evitou se confrontar diretamente com os Estados Unidos   "Sabemos que o propósito reúne esforços, tem no caminho obstáculos nada desprezíveis, entre eles os efeitos de uma ordem econômica internacional injusta e egoísta que favorece os países desenvolvidos e os interesses das grandes corporações transnacionais", disse. Nesse sentido, o presidente cubano disse que a crise financeira e econômica atual é a "manifestação mais grave e indubitável" do sistema. "A vontade de integração na América Latina tropeça também nas reconhecidas desigualdades nos níveis de desenvolvimento, na insuficiente infra-estrutura, nas grandes injustiças sociais e nas imensas disparidades de receita", advertiu.   No entanto, Raúl Castro disse que Cuba também observa com satisfação os passos para avançar rumo à integração, com políticas que dão prioridade a programas sociais e de infra-estrutura, à complementação econômica e produtiva, e à redução das assimetrias.   Na noite de segunda, ao chegar ao balneário baiano, ele já havia disparado um recado sobre a questão do embargo a Cuba, por meio da imprensa. Afirmou que pretende discutir a questão com os EUA se o futuro presidente americano, Barack Obama, se dispuser. "Se o senhor Obama quer discutir, discutimos. Se não quer discutir, não se discute", afirmou. "É cada vez mais difícil manter Cuba isolada. Nós somos pequenos, mas demonstramos que não é possível nos dominar facilmente", completou.   Raúl indicou que a Cúpula da América Latina e Caribe (CALC), entre terça e quarta, poderá aprovar uma resolução contra o bloqueio econômico imposto a Cuba pelos Estados Unidos. A reunião foi organizada com a finalidade de marcar uma posição independente e autônoma da região em relação aos Estados Unidos e de iniciar um processo de integração conduzido pelo Brasil. A presença de Cuba, país que não faz parte da Cúpula das Américas e que está suspenso da Organização dos Estados Americanos (OEA), foi um dos pontos determinantes na construção da CALC. Ainda nesta terça, será realizada uma reunião do Grupo do Rio, mecanismo de consertação política de alguns países latino-americanos, somente para a inclusão de Cuba.   Chávez defende Cuba   O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou que vai propor na próxima Cúpula das Américas, que se dará em abril em Trinidad e Tobago, o ingresso de Cuba. O país não foi incluído nesse processo, que envolve todos os países do Hemisfério Ocidental e que tem nos Estados Unidos um líder informal, por não adotar um regime democrático.   Chávez chegou há pouco ao balneário baiano onde se realizam, até quarta, quatro reuniões de cúpula de países latino-americanos. Ele perdeu as reuniões do Mercosul desta manhã. Mas participa, agora, do encontro dos líderes da União de Nações Sul-americanas (Unasul). Eloqüente, Chávez reiterou a importância de estar em Salvador, Bahia, "aqui na terra do cacau, sem a tutela do império".     (Com Efe)

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