Oviedo pede libertação e nega pacto com governo paraguaio

O ex-general paraguaio Lino Oviedo se apresentou na sexta-feira à Corte Suprema de Justiça para solicitar sua libertação em um dos processos em que é réu. Oviedo foi beneficiado na semana passada com a liberdade provisória no caso em que é acusado de ser o mentor do assassinato do vice-presidente Luis María Argaña, ocorrido num atentado numa rua de Assunção em março de 1999. Agora, o ex-comandante do Exército pediu para ser libertado no processo em que é acusado pela morte de sete jovens nas manifestações que se seguiram ao crime, sob o argumento de que já está preso há três anos sem que a sentença seja ditada. Desde 2004, Oviedo cumpre também uma pena de dez anos de prisão por um frustrado golpe de Estado contra o ex-presidente Juan Carlos Wasmosy, em 1996. Essa pena foi imposta por um tribunal militar e também está sendo revista. O ex-general continua muito popular, principalmente entre os setores mais pobres da população paraguaia, mas por causa das condenações está impedido de disputar as eleições presidenciais de abril de 2008. Políticos dissidentes do Partido Colorado (governo) afirmam que Oviedo fez um pacto por sua libertação com o presidente Nicanor Duarte Frutos, que estaria interessado em quebrar uma aliança oposicionista integrada pelo partido do ex-general. "Não quero misturar temas relacionados à Justiça com a política, porque deve existir independência de poderes. Os temas eleitorais deixamos nas mãos de Deus e do povo que é soberano", afirmou Oviedo ao deixar a audiência. A aliança de oposição tem como candidato o ex-bispo Fernando Lugo. O apoio de Oviedo é importante para que essa coalizão romper a hegemonia do Partido Colorado, no poder desde 1947. Lugo lidera as pesquisas, com cerca de 40 por cento das intenções de voto. O Partido Colorado vem em segundo lugar, com 36 por cento, e Oviedo, em terceiro, tem 14. A Corte Suprema resolverá a solicitação do ex-general nos próximos dias.

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