Padre aliado da ditadura é condenado à perpétua na Argentina

Acusado por assassinatos, ex-capelão é o 1º padre católico condenado à prisão perpétua na América Latina

09 de outubro de 2007 | 19h56

Acusado de participar de sete homicídios qualificados, 31 casos de tortura e 42 privações ilegais de liberdade durante a ditadura militar argentina (1976-1983), o ex-capelão católico da polícia de Buenos Aires Christian Von Wernich foi condenado nesta terça-feira, 9, à prisão perpétua.   Pedida absolvição de padre aliado da ditadura   Wernich escutou o veredicto com as mãos cruzadas e a vista baixa, enquanto membros de organizações de defesa dos direitos humanos aplaudiam a sentença. Ele é o primeiro religioso sentenciado por crimes de lesa humanidade praticados durante a ditadura, período em que entre 11 mil e 30 mil pessoas foram seqüestradas e assassinadas pelo regime.   A sentença - cuja pena é a mais severa aplicável no país - foi imposta pelo mesmo tribunal que em 2006 condenou à prisão perpétua um ex-policial no primeiro juízo oral e público por violações aos direitos humanos realizado após a anulação da "lei do perdão". A medida havia anistiado mais de mil supostos repressores argentinos.   O ultimo dia do julgamento que mobilizou a Argentina foi marcado por uma ameaça de bomba na sala da corte, que teve que ser esvaziada antes da conclusão dos trabalhos.   Mais cedo, Wernich usou a oportunidade de se defender perante o tribunal para pedir "paz e reconciliação". O religioso também criticou os que testemunharam contra ele, classificando-os de mentirosos.

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