Países expressam compromisso com reconstrução do Haiti

Participantes de conferência sobre país caribenho irão propor criação de fundo ao G20

18 de janeiro de 2010 | 23h44

Vista aérea de campo onde estão 50 mil desabrigados vítimas do terremoto, na capital haitiana. Foto: Jorge Silva/Reuters

 

SANTO DOMINGO - Os países reunidos na cúpula "Unidos por um melhor futuro para o Haiti", realizada nesta segunda-feira, 18, em Santo Domingo, se comprometeram a promover ações para a reconstrução do país, reforçando a viabilidade e a estabilidade social e econômica.

 

Participaram da reunião, convocada pelo presidente dominicano, Leonel Fernández, o presidente haitiano, René Préval; e o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, entre outros.

 

Os participantes do encontro decidiram promover a realização de uma conferência internacional cujo objetivo principal será elaborar o Plano Estratégico para a Reconstrução do Haiti. O evento será convocado pela União Europeia (UE) e terá lugar na República Dominicana em abril, segundo Fernández.

 

Veja também:

linkHaiti 'vai precisar de US$ 2 bi anuais até 2015'

linkBrasil pedirá a empresas doação de alimentos ao Haiti

linkOEA diz que é preciso agilizar e coordenar ajuda aos haitianos

 

A proposta será coordenada por um comitê integrado por Brasil, Haiti, República Dominicana, UE, Estados Unidos, Canadá, México e entidades como a Onu, a OEA e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Sua primeira reunião deve acontecer no Canadá já no próximo dia 25, e terminará em Madri entre os dias 16 e 18 de maio com um encontro entre América Latina e UE, acrescentou Fernández.

 

Além disso, os signatários da declaração final da reunião desta segunda em Santo Domingo decidiram propor ao Grupo dos Vinte (G20, países ricos e principais emergentes) que estude em sua próxima reunião a criação de um fundo para reconstruir o Haiti levando em conta experiências como a do fundo do Iraque.

 

Segundo o presidente dominicano, a reconstrução do Haiti custaria cerca de US$ 10 bilhões e consistirá em um programa de cinco anos, no qual o país receberá ajudar para fortalecer suas instituições e sua democracia.

 

No entanto, Fernandéz alertou que a efetividade da ajuda dependerá de "uma convergência no plano internacional" e de "uma coordenação interna para seu manejo". O financiamento desses recursos será organizado por um comitê de coordenação da ajuda para a reconstrução do Haiti.

 

Uma das propostas debatidas na reunião foi o perdão da dívida externa do Haiti, assim como a criação de um fundo especial resultante do pagamento da dívida dos países da América Latina e do Caribe ao Clube de Paris, o que representa US$ 2 bilhões anuais.

 

Os participantes da cúpula concordaram em apontar que "a fragilidade estrutural" do Haiti "faz da coordenação de esforços uma ferramenta fundamental da comunidade internacional" para conseguir sua reconstrução. No entanto, esclareceram que a realização das ações a favor do Haiti deve incorporar o Governo e o povo haitianos.

 

Mais cedo, Préval disse que a ajuda dirigida ao Haiti deve ir além "de curar as feridas" provocadas pelo terremoto. O presidente haitiano propôs que o acompanhamento da ajuda humanitária destinada ao seu país seja feito a partir da República Dominicana, pela proximidade das duas nações e das iniciativas realizadas nesse sentido por Fernández.

 

Préval reconheceu que o Haiti já atravessava uma difícil situação antes do terremoto, que a agravou, e por isso pediu à comunidade internacional para que continue com as iniciativas conduzidas em seu país a partir do tremor.

Tudo o que sabemos sobre:
terremotoHaitiajuda internacional

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.