Países latinos descartam reclassificar Farc a pedido de Chávez

Presidente venezuelano quer retirar qualificação 'terroristas' do grupo, após libertação das reféns na quinta

AP

12 de janeiro de 2008 | 18h30

Apesar de elogiarem a atuação do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, na libertação das duas reféns mantidas pelas Forças Armadas Revolucionários da Colômbia (Farc), alguns governos latino-americanos descartaram,  neste sábado, 12, aceitar seu pedido para retirar a qualificação "terroristas" do grupo.   O presidente do Equador e aliado de Chávez, Rafael Correa, disse esperar que as Farc "liberem incondicionalmente" os demais reféns em poder da guerrilha. "É inaceitável o seqüestro de pessoas pelas Farc", disse o colombiano, em seu programa de rádio.   Veja também: Chávez pede a Europa que tire Farc da lista de terroristas Libertação inicia 'corrida contra morte' Clara Rojas pode recuperar Emmanuel em até duas semanas  Ex-refém diz que Farc mantêm militares acorrentados Para Farc, libertação abre possibilidade de paz Uribe agradece 'eficácia' de Chávez Galeria de fotos do resgate das reféns  Assista às imagens da libertação Saiba quem são as reféns Entenda o que são as Farc Cronologia: do seqüestro à libertação   Ele disse também que a libertação de Clara Rojas e Consuelo González na quinta-feira, "tapa a boca de muitos analistas que diziam que Chávez estava em decadência".   O novo presidente da Guatemala, Alvaro Colom, também disse à AP que não apoiara o pedido de Chávez. " É uma opinião de Chávez, mas não a minha", disse. Assim como Colom, o chefe de gabinete da Argentina, Alberto Fernández, também acredita que essa reclassificação é um ponto de vista somente do presidente da Venezuela.   "A Argentina não se envolve com este tema, nunca viu o caso dos reféns como de natureza política e nunca o fará , porque o que interessa é a liberdade destas pessoas.     Impasse na Colômbia   Setores políticos colombianos ligados ao Governo de Álvaro Uribe, a oposição, a Igreja, militares da reserva e líderes do setor privado rejeitaram nesta sexta a proposta do presidente venezuelano, Hugo Chávez, de retirar a qualificação de terroristas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).   O presidente da Câmara de Representantes, Oscar Arboleda Palacio, pediu que o presidente Uribe "retome de forma urgente a condução do acordo humanitário".   "A posição do presidente Chávez em torno das guerrilhas colombianas viola o Direito Internacional Humanitário e o Direito Internacional público, ao se intrometer em assuntos internos da Colômbia e justificar o seqüestro como forma de luta", disse Arboleda.   Para ele, as Farc e o Exército de Libertação Nacional (ELN) "sem dúvida são grupos terroristas, devido à natureza dos atos que cometem seus integrantes", como o seqüestro e os atentados.   O legislador pediu uma convocação em caráter urgente da Comissão Assessora de Relações Exteriores, da qual fazem parte os ex-presidentes colombianos. Ele quer fixar uma posição diante da "inaceitável intromissão do presidente da Venezuela nos assuntos internos do país".

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