Panamá pressiona Espanha e Itália a resolver impasse sobre obras de expansão do Canal

O presidente do Panamá disse nesta quinta-feira que irá à Espanha e à Itália pressionar empresas a honrarem contratos de expansão do Canal do Panamá, depois que o consórcio de construtoras encarregado do projeto ameaçou suspender os trabalhos por causa de divergências sobre custos.

ELIDA MORENO E ELISABETH OLEARY, Reuters

02 de janeiro de 2014 | 20h07

Os membros do consórcio -- a Sacyr, da Espanha, a Salini Impregilo, da Itália, a Jan De Nul, da Bélgica, e a Constructora Urbana, do Panamá -- disseram conjuntamente na quarta-feira que o excedente de 1,6 bilhão de dólares no custo do contrato de extensão no valor de 3,2 bilhões de dólares tem de ser bancado pelo Panamá.

O consórcio, conhecido como Grupo Unidos pelo Canal, afirmou que a Autoridade do Canal do Panamá (ACP) tem 21 dias para responder à sua demanda, durante os quais os trabalhos prosseguiriam, mas disse que o projeto será suspenso se a requisição não for atendida.

Poucas horas depois, a ACP rejeitou a exigência, indicando que poderia encontrar outros grupos para completar a expansão do canal. As ações da Sacyr, que lidera o consórcio, despencaram 9 por cento nesta quinta-feira.

O presidente panamenho, Ricardo Martinelli, acusou as empresas de agirem com "grande irresponsabilidade" e disse que estão pondo em perigo o robusto projeto de construção, que tem sido um grande motor da economia do país centro-americano.

Martinelli, que assumiu o poder em 2009, afirmou esperar que a Itália e a Espanha mantenham o compromisso de apoiar o projeto, expresso pelos líderes desses países em seu primeiro ano no poder.

"Portanto, estou indo à Espanha e à Itália para pedir isso a eles, porque uma empresa não poderia estipular tal quantia de custos excedentes em um projeto que pertence à humanidade", disse ele a repórteres na Cidade do Panamá.

Os governos espanhol e italiano têm uma "responsabilidade moral" para ajudar a resolver a disputa porque suas empresas estão envolvidas na construção, afirmou Martinelli.

A ACP diz que somente 70 por cento do projeto de expansão estão completos. O objetivo é alargar e aprofundar passagens existentes no canal de modo a permitir que navios maiores possam cruzá-lo.

O consórcio afirma que os valores excedentes provêm de situações não previstas durante a construção e diz que isso é "normal" nesse tipo de projeto. Além disso, alega que a ACP não cumpriu suas obrigações e deu ao consórcio informações "inexatas" para o empreendimento.

Mas a ACP diz que se o consórcio não for capaz de honrar seus compromissos, vai dar início a "mecanismos previstos no contrato que permitirão que as obras sejam concluídas". O órgão não explicou o que seriam esses mecanismos.

(Reportagem adicional de José Elias Rodríguez, em Madri; e de Elinor Comlay e Julia Symmes Cobb, na Cidade do México)

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