Pando rejeita participação de brasileiros em protestos

Governados regional de Pando rejeitou que brasileors tivessem sido pagos para protestar

13 de setembro de 2008 | 19h29

O governador regional de Pando, o opositor Leopoldo Fernández, rejeitou que brasileiros tivessem sido pagos para participar dos protestos que ocorrem no departamento boliviano contra o Governo de Evo Morales.   Fernández criticou a "habilidade do Governo para desvirtuar as coisas" e negou que sicários brasileiros e peruanos pagos tenham participado dos choques.   Ele também desmentiu as informações de alguns veículos de comunicação sobre sua suposta fuga junto a alguns dirigentes cívicos ao Brasil, "apesar da difícil situação que o departamento está atravessando e que sabem que correm perigo".   Além disso, o governador regional se mostrou favorável a recorrer a "instâncias totalmente imparciais" para investigar os fatos violentos ocorridos em sua região.   Fernández aproveitou a ocasião para acusar o Governo boliviano de planejar o "massacre" ocorrido na região, e denunciou que os setores afins ao presidente do país, Evo Morales, estavam armados há dias. O choque violento de quinta-feira que deixou 16 mortos nesse departamento amazônico, no norte do país, obedece "a uma estratégia planejada" desde o Governo "que já vinha sendo implementada há bastante tempo", disse Fernández em entrevista à "Radio Fides".   "Havia uma intenção de criar uma indisposição na população contra o Governo departamental para jogar em nós a culpa de tudo", afirmou Fernández, que acrescentou que o Executivo utilizou o conflito para decretar o estado de sítio em Pando.   O Governo justificou na sexta-feira essa medida de exceção pelo crescente número de vítimas no "massacre" registrado na localidade de Porvenir, próxima a Cobija, capital de Pando, por confrontos entre camponeses fiéis a Morales e grupos opositores autonomistas.   Segundo Fernández, "vai custar muito" que esta medida seja aplicada entre a população, porque se trata de uma decisão "abusiva, sem nenhum tipo de sustentação e que não tem consistência".   O governador regional acusou também as Forças Armadas de ter sido testemunhas do choque e de "não fazer nada" para evitar a violência entre camponeses afins a Morales e opositores.   Ele disse que os camponeses estavam armados, mas afirmou desconhecer se iam diretamente à localidade de Porvenir ou se caminhavam em direção a Cobija "com a intenção de tomar a capital do departamento e a Prefeitura".   O governador lamentou os fatos violentos e destacou que seu departamento vai "seguir lutando" para conseguir "um país com liberdades".   "Não vão conseguir parar o processo autônomo que levamos adiante nem tirar de Pando a esperança e possibilidade de crescer nem nossos recursos", acrescentou.   Ele se referiu também à tentativa de diálogo entre o Governo e os governadores regionais opositores, representados pelo governador de Tarija, Mario Cossío, e se mostrou pessimista sobre seus resultados. O diálogo "é só um discurso (...) mas não acontece nada na prática", disse Fernández, que criticou que "enquanto Cossío entrava no Palácio de Governo, as autoridades emitiam o estado de sítio, tomavam o aeroporto (de Cobija) e amedrontavam a população".

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