Papa Bento XVI critica 'o escândalo da pobreza' na Argentina

Chefe do Gabinete da Presidência disse que crítica 'não tem nenhuma novidade. É natural'

Marina Guimarães, correspondente da Agência Estado,

06 de agosto de 2009 | 21h06

O governo da Argentina fez duras críticas à imprensa nacional em resposta às declarações do Papa Bento XVI, que nesta quinta-feira, 6, convocou os católicos a realizarem um esforço para "reduzir o escândalo da pobreza e iniquidade social na Argentina". Para o chefe de Gabinete da Presidência, Aníbal Fernández, "as palavras do Santo Padre são similares às que recebeu a Argentina em outros anos e é o que ele tem dito em outros lugares do mundo. Não tem nenhuma novidade. É uma característica habitual (...). É natural".

 

Durante uma entrevista coletiva à imprensa, na Casa Rosada, no início da noite, Fernandez disse que a mensagem enviada pelo papa aos fiéis e à Igreja argentina, nesta quinta-feira, foi manipulada pela imprensa. "Manipular as palavras do Santo Padre é uma total falta de qualidade informativa e do ponto de vista humano é quase picaretagem", acusou Fernández. "Não se pode trabalhar de uma maneira tão torpe e sem sensibilidade", reclamou. "Quando nosso governo começou a trabalhar em 2003, a obsessão foi atacar a pobreza. Esta é a Argentina que dói e que é um escândalo. Um pobre é um escândalo", destacou o ministro, afirmando que o governo concorda com as "expressões do papa, porque chegou à política para mudar isso". O ministro pediu ainda aos meios de imprensa que "tenham qualidade informativa; não façam o papa dizer o que nunca disse".

 

A mensagem do papa, que motivou a polêmica entre a Casa Rosada e a imprensa argentina, foi transmitida pelo monsenhor Adriano Bernardini. O papa usou as mesmas palavras do cardeal argentino Jorge Bergoglio durante visita ao Vaticano, em março último, e em entrevista à imprensa local para denunciar que a pobreza no país atinge 40% da população. A mensagem de Bento XVI foi enviada aos promotores e colaboradores da campanha tradicional de coleta que a Igreja Católica realiza todos os anos, denominada "Mais por menos". A campanha terá início no próximo mês com o lema "Mais solidariedade por menos exclusão".

 

Segundo a consultoria argentina Ecolatina, no primeiro semestre de 2009 a pobreza atingiu 31,8% da população (12,7 milhões de pessoas) e a indigência chegou a 11,7% (4,7 milhões de habitantes). O governo afirma que a pobreza atinge 15% (6,1 milhões de pessoas) e a indigência chega a 4,4% (1,6 milhão) da população.

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