Papa tem recepção calorosa na chegada a Cuba

O papa Bento 16 desembarcou nesta segunda-feira em Cuba para uma visita de três dias destinada a salientar a melhora nas relações entre a Igreja Católica e o regime comunista da ilha.

SIMON GARDNER E PHILI, REUTERS

26 Março 2012 | 19h27

Ao desembarcar em Santiago de Cuba (leste), o papa foi calorosamente cumprimentado pelo presidente Raúl Castro, que vestia terno escuro e estava acompanhado pela Guarda de Honra completa. Houve uma salva de tiros de canhão.

Passados 14 anos da histórica visita do papa João Paulo 2o a Cuba, Bento 16 rezará missas em Santiago e Havana antes de regressar ao Vaticano, na quarta-feira. Ele chegou a Cuba após visitar o México.

Após décadas de hostilidade depois da Revolução Cubana de 1959, as relações entre a Igreja e o governo cubano estão numa fase de distensão, num momento em que o governo implanta reformas que reduzem o controle do Estado sobre o cotidiano do país.

Raúl tem usado a Igreja como interlocutora em questões como presos políticos e dissidentes. O papa deve tentar consolidar essa posição e oferecer mais ajuda da Igreja para que uma eventual transição preserve programas sociais. A Igreja tem estimulado as reformas econômicas e políticas em Cuba, e aconselhado que elas aconteçam com a maior rapidez possível.

Em um breve pronunciamento antes de entrar no "papamóvel" que o levaria à praça da Revolução, cenário da missa campal, Bento 16 evocou a visita pontifícia anterior, dizendo que ela deixou "uma marca indelével nas almas de todos os cubanos", inclusive nos que não têm religião.

Segundo o papa, de 84 anos, a passagem de seu antecessor marcou uma "nova fase" para as relações entre Igreja e Estado, "num espírito de cooperação e confiança, mesmo nas muitas áreas em que maiores progressos poderiam e deveriam ser feitos, especialmente com relação à indispensável contribuição pública que a religião é chamada a fazer na vida da sociedade".

Em seu discurso de boas vindas, Raúl fez uma firme abordagem política sobre a injustiça do embargo norte-americano a Cuba, e sobre a "tenaz resistência" da ilha em preservar sua independência e "seguir seu próprio caminho".

Raúl e o papa devem se reunir novamente em Havana, na terça-feira, depois da visita do papa à imagem da Virgem da Caridade, padroeira do país, na basílica de El Cobre, nos arredores de Santiago.

Na sexta-feira, o papa -considerado como conservador- surpreendeu ao declarar que o comunismo fracassou em Cuba, e que a Igreja pode ajudar o país "a evitar traumas" na adoção de um novo regime.

O governo cubano reagiu de forma diplomática, dizendo que "escuta com todo o respeito" as palavras do papa, e aprecia o "intercâmbio de ideias".

Nos seu pronunciamento inicial em solo cubano, o papa foi menos explícito em suas criticas ao regime, limitando-se a algumas referências veladas à situação dos direitos humanos.

"Trago em meu coração as justas aspirações e legítimos desejos de todos os cubanos, estejam onde estiverem", disse ele, incluindo os "sofrimentos" dos presos e sua família, uma referência que deve ser bem recebida por dissidentes políticos na ilha e por exilados nos EUA.

Mas, num claro esforço para equilibrar suas declarações, Bento 16 fez também ataques à cobiça do capitalismo, e atribuiu a atual crise econômica global "à ambição e egoísmo de certas potências que pouco levam em conta o bem verdadeiro de indivíduos e famílias".

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