Para analistas, Barack Obama tenta superar lições do Katrina

Líder americano mostra resposta rápida, agressiva e coodernada para deixar para trás erros do governo anterior

Associated Press,

15 de janeiro de 2010 | 15h39

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, busca que o mundo veja a resposta americana ao desastre no Haiti como "rápida, coordenada e agressiva". Ele prometeu grandes esforços em seus primeiros comentários sobre o terremoto na quarta-feira, e os repetiu na quinta. Em outras palavras: isso não será um novo episódio da tragédia do furacão Katrina.

 

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"Os EUA são vistos no mundo como os primeiros a responder neste tipo de crise humanitária, e isso teve ecos inapropriados no episódio do furacão Katrina", disse Paul Light, professor do serviço público na Universidade de Nova York. "Podemos chegar lá rápido o bastante? Há um risco para o presidente."

 

O custo humano de um desastre dessas proporções importa. Mas o político não pode ser ignorado. "Presidentes têm um tempo muito limitado para provar eficiência no gerenciamento de crises", acrescentou Light, que elogiou Obama pelo forma que ele anunciou a resposta americana e incitou seu próprio país a ajudar.

 

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Obama está determinado a mostrar que os EUA, mesmo consumidos com seus problemas, podem dar certo nessas situações. "Esse é um dos momentos que pedem a liderança americana", declarou o presidente.

 

Há grandes contrastes com o caso do Katrina, o mais destrutivo desastre natural da história dos EUA, e as cenas vistas no Haiti: um foi um furacão que matou 1,8 mil pessoas entre o Golfo do México, outro é um terremoto a milhares de quilômetros que matou até 50 mil pessoas, segundo estimativas.

 

Obama respondeu com urgência, e a Casa Branca tentou assegurar que as pessoas soubessem disso. O presidente enviou navios, soldados e toneladas de suprimentos. Ele prometeu cerca de US$ 100 milhões em esforços de ajuda, e agora afirma que a cifra irá aumentar.

 

Desta maneira, Obama posiciona os EUA como líderes de uma coalizão de auxílio, enquanto os escritórios das Nações Unidas no país foram um dos alvos da tragédia. E ele disse à sua equipe: "eu não vou aceitar nenhuma desculpa" por respostas inadequadas, outra alusão às falhas dos governos anteriores neste tipo de situação.

 

O ex-presidente George W. Bush pagou um grande preço político quando a América assistiu com horror Nova Orleans afundando e o governo, em todos os níveis, respondendo de forma lenta. Agora, Obama encarrega Bush, assim como Bill Clinton, também ex-chefe de Estado, de liderar esforços privados para levantar fundos para a tragédia.

 

"Este é um tempo em que o mundo olha para nós", afirmou Obama aos democratas da Câmara de Representantes na quinta feira. "E eles dizem, diante da nossa capacidade, de que nós temos que agir não somente para nossos próprios interesses, mas para os interesses do mundo". Os próximos dias irão determinar se há um vácuo entre as intenções e ações.

 

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