Para analistas, diálogo entre Colômbia e Farc é 'muito difícil'

Desconfiança entre as partes dificulta as conversas, dizem especialistas; governo quer contato sem mediadores

Efe,

14 de julho de 2008 | 16h01

A decisão do governo colombiano de dar "os primeiros passos" para iniciar um diálogo direto com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), sem mediações de outros países, foi recebida nesta segunda-feira, 14, com "bons olhos" por diversos analistas. Apesar disso, as fontes acreditam que esse contato é "muito difícil" devido à desconfiança mútua entre as partes.   Veja também: Ingrid recebe medalha da Legião da Honra francesa Colômbia detêm um dos maiores seqüestradores das Farc Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região      O assessor presidencial José Obdulio Gaviria disse à emissora RCN que o governo sempre teve contatos com o líder da guerrilha, "Alfonso Cano", e vê como "um grande avanço" que agora sejam alcançadas novas aproximações na busca da liberdade dos reféns "ou para procedimentos de desmobilização e reinserção."   Ele afirmou que nos computadores encontrados com o chefe guerrilheiro "Raúl Reyes", apelido de Luis Edgar Devia, há mensagens entre esse e Cano, como é conhecido Guillermo León Sáenz, nos quais "permanentemente se referem a contatos" entre o Governo colombiano e Jorge Torres Victoria, o "Pablo Catatumbo."   O analista político francês e especialista no conflito colombiano Daniel Pécaut disse à mesma emissora de rádio que o êxito do governo colombiano na libertação, em 2 de julho, de 15 reféns, entre eles Ingrid Betancourt, levou o Executivo a "não querer mais a mediação internacional como se deu nos últimos anos."   Apesar disso, ele acha "muito difícil o processo sem uma mediação ou facilitação de outros países que podem ser diferentes das nações que se introduziram na fase anterior (Espanha, França e Suíça), como o Brasil ou outros países da América Latina", disse. "O grau de desconfiança é total entre as duas partes e o processo de negociação é muito longo."   O diretor do semanário comunista Voz e mediador entre o governo e as Farc, Carlos Lozano, afirmou à "Caracol Radio" que a iniciativa é boa, mas a "desconfiança entre as partes é forte e, assim, não há segurança que funcione."   Segundo ele, "poderia ser aproveitada" a figura do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, após a superação da crise entre os dois países.   Lozano disse que confia em que Cano responda positivamente às duas mensagens enviadas por mensageiros e destacou que os rebeldes já não falaram nos dois últimos comunicados emitidos da desmilitarização dos municípios de Pradera e Florida (no sudoeste do país) como condição para um acordo humanitário.   O ex-comissário de paz durante os frustrados diálogos de paz com as Farc em 2002, Camilo Gómez, indicou ao jornal El Tiempo que "a única maneira é se sentar com eles, mas não se pode deixar de lado o acompanhamento internacional. O governo deveria propor isso na hora de definir as condições para se sentar", acrescentou.   O ex-guerrilheiro do Exército de Libertação Nacional (ELN), atualmente analista político e diretor da Fundação Arco Iris, León Valencia, disse ao mesmo jornal que "é possível um contato direto, mas é muito difícil."  

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