Para base de Cristina Kirchner, veto de vice é incompreensível

Líder da bancada no Senado critica vice-presidente por derrubar proposta de aumentar impostos agrícolas

Agências internacionais,

17 de julho de 2008 | 11h44

O chefe da bancada kirchnerista no Senado, Miguel Ángel Pichetto, afirmou ao jornal argentino Clarín nesta quinta-feira, 17, que o voto do vice-presidente Julio Cobos contra a resolução apresentada pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner, é incompreensível. Horas após a votação que derrubou a proposta de aumento dos impostos sobre as exportações agrícolas, Cobos reiterou que não renunciará, pois isso seria trair a vontade popular.   Veja também: Entenda a crise entre o campo e o governo Cristina sofre derrota chave no Senado Vice veta lei, mas pretende ficar no cargo   Após 16 horas de debates, a votação do projeto do governo acabou em empate. O voto de Minerva coube ao vice-presidente Cobos, que também é presidente do Senado. Contrário ao projeto, Cobos chegou a cogitar votar com o governo para evitar o agravamento da tensão política, mas acabou votando contra. Ao reafirmar que não pretende deixar o cargo, o número dos do governo afirmou que a proposta de Cristina "dividia o próprio" Partido Justicialista (peronista) e o país. "Além disso, faria um mal às instituições" democráticas, acrescentou ao destacar que não responderá aos deputados governistas que o chamaram de traidor e pediram sua renúncia.   Nesta manhã, um dos poucos que se manifestaram publicamente sobre o veto foi o chefe da bancada governista no Senado. Para Pichetto, a história julgará mal o vice-presidente. "É incompreensível, é muito difícil que isso possa acontecer em uma democracia de países modernos", afirmou. Segundo o Clarín, para Pichetto, a decisão de Cobos é inexplicável, pois está seria "uma discussão sobre uma proposta do seu governo e ele faz parte deste governo".   Cobos afirmou que desejou "pacificar" o país após um conflito de 128 dias entre os ruralistas e o governo, iniciado em 11 de março - quando entraram em vigor impostos móveis à exportação de grãos. "Nestes dias escutei prefeitos de muitos distritos que me advertiam sobre a gravidade deste conflito e inclusive as pessoas que temiam que houvesse uma guerra civil", declarou. "Viramos a página de todas estas coisas que vivemos, espero que o país entre em outra etapa", declarou ao defender a discussão de uma política agropecuária que satisfaça todas as partes.   Julio Cobos é uma das centenas de líderes da União Cívica Radical (UCR), segunda força parlamentar do país, que em 2006 aceitaram se juntar ao acordo político convocado pelo então presidente da Argentina, Néstor Kirchner (2003-2007), marido e antecessor de Cristina Fernández.   "Venho de outra corrente política, mas o peronismo deve entender que em suas próprias fileiras aconteceram divisões (por causa do conflito com o campo) e que é necessário debater em um clima sereno", declarou após afirmar que Cristina Fernández deve "compreender" sua posição.

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