Para Chávez, acusações da Colômbia refletem briga entre Santos e Uribe

Paí tentará provar na OEA que líderes das Farc e do ELN estão em território venezuelano

Efe,

20 de julho de 2010 | 20h39

CARACAS- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou nesta terça-feira, 20, que as recentes acusações da Colômbia de que seu país é refúgio de líderes guerrilheiros colombianos obedecem "a luta pelo poder" entre o presidente em fim de mandato, Álvaro Uribe, e o líder eleito para substituí-lo, Juan Manuel Santos.

 

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"Agora está em andamento na Colômbia uma luta pelo poder entre Uribe, que quer conservar o poder que acumulou, e o novo grupo de Santos", afirmou Chávez.

 

Chávez ressaltou, em um ato de graduação de agentes da Polícia Nacional Bolivariana (PNB), que Santos e Uribe, ambos do Partido Social da Unidade Nacional, são "aliados", mas ao mesmo tempo "têm seus conflitos de poder porque representam grupos diferentes".

 

As relações entre Caracas e Bogotá voltaram a viver um episódio de tensão com as acusações do governo de Uribe de que vários líderes guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN) se refugiam em território venezuelano, por omissão de Caracas.

 

As provas de Uribe da presença de guerrilheiros na Venezuela, documentadas com fotos e vídeos, serão apresentadas nesta quinta-feira em uma sessão pública extraordinária da Organização dos Estados Americanos (OEA) solicitada pela Colômbia.

 

Após as críticas por parte dos colombianos, Chávez conversou com seu embaixador em Bogotá, Gustavo Márquez, e ameaçou "romper relações" com o país vizinho, o que pode acarretar em eventuais "novos ataques".

 

Os cruzamentos de declarações acontecem a apenas três semanas da posse de Santos, que acontecerá no próximo dia 7, ato que o presidente venezuelano anunciou que não presenciará porque, para ele, Uribe "é capaz de tudo" e pode até atentar contra sua vida.

 

Chávez voltou a acusar o atual governo da Colômbia de "exportar violência" para a Venezuela e acrescentou que o governante do país vizinho, a quem chamou de "mafioso", deixa a presidência "derrotado".

 

"Hoje, a Colômbia é mais violenta, tem mais narcotráfico (que quando Uribe chegou ao poder) e ele (Uribe) pretende disparar para cá que Chávez é o culpado", disse o líder venezuelano.

 

Chávez reiterou o compromisso de seu governo na luta contra o narcotráfico e colocou como exemplo a deportação de 12 chefes da máfia neste ano, entre eles o líder de cartel Carlos "Beto" Rentería e a apreensão de 910 kg de maconha hoje em Barinas.

 

"Irmandade"

 

Uribe disse hoje que para "falar sinceramente de irmandade" com as nações vizinhas "não pode haver criminosos envolvidos", em alusão à Venezuela, que acusa de dar refúgio a chefes guerrilheiros.

 

"O narcoterrorismo é uma ameaça para nós e para os vizinhos. Pedimos cooperação, também a oferecemos", afirmou o líder durante seu último discurso no novo Congresso Nacional, instaurado hoje.

 

Embora não o mencionou expressamente, Uribe aludiu ao governo da Venezuela, que acusou em reiteradas ocasiões de não cooperar com a Colômbia no combate às guerrilhas das Farc e do ELN.

 

O discurso de hoje de Uribe, o último que pronuncia perante o Congresso após oito anos no poder, se concentrou no bicentenário da independência colombiana, lembrado hoje, em sua política de "segurança democrática", baseada na luta militar contra as guerrilhas e na confiança dos investidores.

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