Para Cuba, liberação de americano preso é tema 'muito sensível'

O governador do Novo México, Bill Richardson, disse nesta quinta-feira que pediu a Cuba a libertação por razões humanitárias de um norte-americano preso por espionagem, mas ouviu como resposta que o caso é "muito delicado".

ESTEBAN ISRAEL E ROSA TANIA VALDÉS, REUTERS

26 de agosto de 2010 | 17h49

Richardson disse, entretanto, que conseguiu avanços nas conversas que teve nesta semana com o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, a respeito da prisão do norte-americano Alan Gross.

"O governo Obama me pediu que eu levasse o caso de Alan Gross aos mais altos níveis, e o fiz", disse o governador norte-americano a jornalistas em Havana. "Fui informado pelo governo cubano que o caso de Gross está em um processo investigativo e legal muito sensível."

Gross, de 60 anos, foi preso em dezembro, no aeroporto de Havana. Cuba não formalizou acusações contra ele, mas o presidente Raúl Castro declarou que ele havia entregue telefones por satélite a dissidentes, violando as leis da ilha.

Richardson disse que conseguiu expor o lado humano de Gross, um homem que, segundo o governador, pode ter cometido erros, mas é inocente. "Acho que libertar Alan Gross seria um gesto humanitário muito bem vindo. Esse é um caso humanitário, não político."

O político democrata tem larga experiência em questões diplomáticas. Já foi embaixador da ONU e enviado especial do governo de Bill Clinton a nações inimigas. Em 1996, esteve com o então presidente Fidel Castro e obteve a libertação de três presos políticos.

Mas o caso de Gross é mais complicado, já que ele foi apontado como espião norte-americano, o que Washington nega. O Departamento de Estado dos EUA afirma que ele estava ajudando grupos judaicos a estabelecerem conexões com a Internet.

Ele havia viajado à ilha como contratado de uma empresa privada que executava um programa do governo norte-americano destinado a "promover a democracia" na ilha comunista.

Cuba diz que o caso é um exemplo de como o governo de Barack Obama, apesar de suas promessas iniciais de "relançar" as relações com Cuba, continua tão comprometido quanto seus antecessores com a meta de derrubar o regime cubano.

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