Para cubanos, mensagem de Fidel indica afastamento definitivo

Parlamento pode formalizar saída em março, quando se reúne para eleger presidente do Conselho de Estado

REUTERS

18 de dezembro de 2007 | 15h50

O comentário do líder cubano, Fidel Castro, de que não ficará para sempre agarrado ao poder foi interpretado na terça-feira, 18, por muitos cubanos, como um primeiro sinal da futura aposentadoria do homem que comanda o país há quase meio século.    Casa Branca diz que carta de Fidel Castro é 'interessante'       Fidel, de 81 anos, sugeriu em uma carta lida pelo canal estatal de TV do país na noite de segunda-feira, 17, que não pretende se manter para sempre no poder e afirmou que tampouco impedirá a ascensão de novos dirigentes. "Parece que estão nos preparando para a despedida", disse um estudante de informática em Havana. No dia 31 de julho de 2006, depois de sofrer um grave problema intestinal, o líder cubano transferiu o poder provisoriamente para Raúl Castro, irmão dele. Fidel não é visto em público desde então. "Meu dever principal não é me aferrar aos cargos e tampouco obstruir o caminho de pessoas mais jovens, mas levar experiência e idéias cujo modesto valor provém da época excepcional em que vivi", disse Fidel em uma carta lida na noite de segunda-feira. Essa é a primeira alusão ao futuro político dele em quase 17 meses de convalescença. "A carta contém um alto grau de sinceridade e muita valentia", afirmou Raúl González, funcionário aposentado da rádio estatal do país. O Parlamento pode formalizar o afastamento de Fidel do Poder Executivo em março de 2008, quando se reúne para eleger o presidente do Conselho de Estado, o cargo que o líder ocupa há mais de três décadas. Ainda doente, Fidel foi nomeado no começo deste mês para ocupar uma vaga no Parlamento e assim manter aberta a possibilidade de ser reeleito. A mensagem dele, publicada na primeira página do jornal Granma na terça-feira, não cita nenhuma data para o eventual afastamento. No texto, Fidel menciona o arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, que acaba de cumprir 100 anos de idade e que continua trabalhando. Mas, nas ruas de Havana, muitos falaram sobre a possibilidade de injetar sangue novo no governo comandado por Fidel desde 1959. "Fidel deveria se aposentar. É hora de os jovens terem uma participação real no governo", disse Aldo Fernández. Raúl, um general de 76 anos de idade, tem governado Cuba sem se afastar da linha política traçada pelo irmão mais velho, derrubando assim as previsões feitas nos EUA de que a saída do Fidel faria a ilha caribenha mergulhar em uma situação caótica. (Reportagem de Esteban Israel, Nelson Acosta e Rosa Tania Valdés)

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