Manaure Quintero/Efe
Manaure Quintero/Efe

PARA ENTENDER: Os 13 anos do governo socialista de Chávez na Venezuela

Desde que assumiu, Chávez nacionalizou empresas, mudou a Constituição, o nome do país e até o fuso horário

Reuters

08 de outubro de 2012 | 08h52

CARACAS - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, garantiu um mandato de mais 6 anos, que estenderá seu período no poder para 20 anos, ao conquistar a reeleição com a promessa de levar a revolução socialista a um ponto "sem volta".

 

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Desde que assumiu as rédeas do país membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) em 1999, o militar da reserva fez uma curva acentuada à esquerda na política e na economia, ao nacionalizar empresas, atribuir ao Estado atividades essenciais, mudar a Constituição, o nome do país, a bandeira e até o fuso horário. Veja abaixo alguns dos acontecimentos mais importantes dos primeiros 13 anos de Chávez no poder.

 

Política

 

* Chávez assumiu o poder em fevereiro de 1999 como o 47º presidente da Venezuela, jurando sobre uma Constituição que ele afirmou estar "moribunda". Ao final daquele ano, conseguiu seu objetivo de mudar a carta magna e iniciar a "Revolução Bolivariana". Entre suas primeiras decisões, proibiu o Departamento Antidrogas dos EUA de fazer sobrevoos no país e anos mais tarde, em 2008, expulsou o embaixador norte-americano.

 

* Escapou dos momentos mais difíceis no poder, quando, após vários dias de greves nacionais, em 11 abril de 2002, sofreu um Golpe de Estado que o tirou do poder por quase 48 horas.

* Mais tarde, naquele mesmo ano, uma greve liderada por trabalhadores, empregadores e contratados da estatal de petróleo de Venezuela paralisou a indústria vital para o país. A greve prolongou-se até fevereiro de 2003 e derrubou a produção petrolífera, impactando com força a economia.

* Em um novo mandato, que começou em 2007, declarou a transformação do país em um Estado socialista.

* Seus adversários acusam-no de querer suprimir a liberdade de expressão e de exercer o poder absoluto. Em 2007, o governo não renovou a concessão da emissora privada de Televisão RCTV, de tendência opositora.

* Nesse mesmo ano, com uma população desencantada pela escassez de alimentos, Chávez apresentou uma nova proposta para a reforma da Constituição, que ampliava os poderes do Estado e permitia a reeleição presidencial ilimitada, mas perdeu por 120 mil votos, seu único revés nas urnas.

* A política externa foi marcada por críticas contra o "imperialismo" dos Estados Unidos, país que ele acusa de ser responsável por questões que vão desde a mudança climática até uma suposta tentativa de assassiná-lo. Paralelamente, reforçou a cooperação com seus aliados de esquerda como Bolívia, Equador, Nicarágua e, especialmente, Cuba, onde foi submetido a três cirurgias e recebeu tratamento contra um câncer. Também se aproximou do Irã e da Síria.

* Entre as principais reclamações dos venezuelanos sobre sua gestão, estão o déficit habitacional, uma das taxas mais altas de criminalidade da região e a inflação descontrolada.

Economia

 

* Em 2003, com os efeitos da greve no setor de petróleo, ele decretou o controle cambial que afirmou que "veio para ficar". Junto a essa medida, impôs um controle de preços sobre uma longa lista de produtos de consumo.

* Chávez passou grande parte dos recursos das exportações de petróleo para os gastos sociais e para ajudar os países aliados, levando a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) a reduzir seus lucros e investimentos e aumentar seu endividamento.

* Uma das marcas do governo de Chávez tem sido a extensa onda de desapropriações. O Estado se apropriou em pouco mais de uma década de vários ativos, que vão desde empresas petrolíferas, financeiras, de telecomunicações, elétricas, até empresas menores como produtoras de vasos sanitários, tubos e embalagens de papel.

* A Venezuela conseguiu deixar para trás uma recessão de quase dois anos, depois que os preços do petróleo recuperaram-se em 2010. Mas o país luta contra uma angustiante inflação de dois dígitos desde 1986, a dependência das importações e uma indústria desgastada pelas nacionalizações e pela falta de divisas.

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