Para EUA, volta de Zelaya 'põe em risco' mediação em Honduras

Chávez disse que líder deposto retorna ainda nesta sexta; Washington pede novamente tempo para diálogo

17 de julho de 2009 | 18h50

Hondurenhos realizam novos protestos pró-Zelaya em Tegucigalpa. Foto: AP  

 

WASHINGTON - Os Estados Unidos se opuseram nesta sexta-feira, 17, a uma nova tentativa de volta a Honduras do presidente deposto José Manuel Zelaya, avaliando que a medida poderia pôr em risco os esforços de mediação liderados pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias. Mais cedo, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou que Zelaya estava pronto para retornar ao país "nas próximas horas." 

 

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Uma segunda tentativa de regresso de Zelaya "não seria de grande ajuda", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado americano Robert Wood. Ele acrescentou que o líder deposto "sabe a posição" de Washington e deve "se comprometer plenamente com esse processo (de mediação), dando-lhe tempo". Zelaya tentou voltar a Honduras há dez dias, uma semana depois de ter sido expulso do país pelas Forças Armadas. Na ocasião, as autoridades hondurenhas bloquearam a pista do aeroporto de Tegucigalpa e seu avião não conseguiu pousar.

 

Aliados de Zelaya disseram nesta sexta que as negociações que serão realizadas na Costa Rica entre o governo deposto e de facto no sábado podem ser a última chance de evitar um confronto, e talvez uma guerra civil. O presidente de facto, Roberto Micheletti, disse que Zelaya deve tentar entrar no país cruzando a fronteira florestal da Nicarágua com Honduras, mas o presidente deposto parecida ainda estar na capital nicaraguense nesta sexta-feira.

 

Zelaya declarou à televisão estatal venezuelana, na noite de quinta-feira, que as conversações do final de semana são um momento de esperança para uma solução, mas que estava se aprontando para retornar. "Estou preparando várias alternativas: por ar, terra e outros."

 

Em Honduras, cerca de 2 mil partidários do presidente deposto bloquearam duas estradas que ligam Tegucigalpa às costas caribenha e pacífica por várias horas nesta sexta-feira. A companhia aérea American Airlines suspendeu temporariamente dois de seus voos diários dos Estados Unidos para a capital hondurenha por causa da crise política, informou a porta-voz da empresa, Berna Osorto. A Continental e a Delta mantiveram seus voos.

 

OPÇÕES

 

Arias apresentou uma série de acordos possíveis para os dois lados, mas indicou que um pacto de compartilhamento de poder no qual Zelaya retornasse para concluir seu mandato com poderes limitados vai dominar as conversações. Arias disse que as discussões também vão abranger uma possibilidade de anistia para Zelaya.

 

A Suprema Corte emitiu um mandato de prisão para Zelaya antes do golpe, afirmando que sua tentativa de realizar um referendo para formar um assembleia constituinte era ilegal. Em vez disso, os militares decidiram enviá-lo ao exílio no dia 28 de junho, uma medida que os próprios advogados militares declararam ser ilegal, mas necessária.

 

Muitos hondurenhos viram o referendo como uma tentativa de Zelaya de implantar um sistema de governo socialista nos moldes de Chávez. Arias disse nesta sexta-feira que os dois lados tem "abrandado e eu acho que vamos encontrar mais flexibilidade". Na primeira rodada de conversações, os dois lados concordaram apenas em se reunirem novamente.

 

Micheletti disse à rádio colombiana RCN que seu governo está aberto ao diálogo, mas afirma que Zelaya cometeu crimes contra "a economia, a cidadania e contra a Constituição" e não pode ter permissão para voltar ao poder. Ele acusou Zelaya de "convocar um derramamento de sangue."

 

O líder de facto disse também que espera avançar com as eleições como uma fora de sair da crise. Ele afirmou que ele deixaria o cargo "se o senhor Zelaya parar de incitar um movimento revolucionário no país e parar de tentar voltar para cá."

 

Se nenhum acordo for alcançado, a ministra ao Exterior do governo Zelaya, Patricia Rodas, disse que vai voltar para Honduras e instalar um governo paralelo "para dirigir o que eu chamarei de batalha final". Ela não deu mais explicações. O prazo final dado por Zelaya para que os líderes do golpe deixem o governo - domingo - coincide com o 30º aniversário da revolução sandinista de 19 e julho de 1979, que depôs o ditador Anastasio Somoza.

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