Para Farc, garantia da Cruz Vermelha é pouco para soltar refém

Guerrilha anunciou libertação unilateral de militar, mas exige presença de grupo humanitário e oposicionista

Efe,

29 de abril de 2009 | 17h32

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) consideraram nesta quarta-feira, 29, "insuficientes" a presença do Comitê da Cruz Vermelha Internacional (CICV) e da Igreja Católica na libertação do militar colombiano Pablo Emilio Moncayo. A declaração está em uma carta enviada ao grupo Colombianos pela Paz (CPJ), liderado pela senadora opositora Piedad Córdoba, e é uma resposta à decisão do governo de excluir a parlamentar da missão humanitária, após a guerrilha ter anunciado, em 16 de abril, a libertação unilateral do sequestrado.

 

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Para que ocorra essa libertação, "consideramos indispensável a presença do CPJ, liderado pela senadora Piedad Córdoba, como garantia de transparência nas operações", segundo o comunicado divulgado pela "Agencia de Noticias Nueva Colombia" ("ANNCOL"). O grupo também pede a presença do professor Gustavo Moncayo, pai do refém, que está há mais de 11 anos em poder das Farc.

 

"Não temos objeções à presença do CICV e da igreja, só que a consideramos insuficiente", diz a guerrilha na nota. As Farc também pediram para "analisar se os pactos militares assinados no passado pelos governos do Brasil e da Colômbia poderiam interferir de alguma forma, e, se for o caso, se haveria necessidade de bater em outras portas."

 

Córdoba está em Brasília hoje, onde pediu ao governo brasileiro para apoiar a criação de uma zona neutra para realizar um diálogo entre as Farc e as autoridades colombianas. O Brasil forneceu a ajuda logística para a libertação de seis reféns em fevereiro, quando a senadora atuou como mediadora.

 

"Ficamos aguardando as decisões quanto às garantias e à logística que serão fornecidas para especificar as datas e definir os detalhes finais", acrescenta o comunicado, no qual as Farc pedem ao governo para cumprir "estritamente as garantias requeridas". As Farc se comprometem a seguir "trabalhando para materializar, em primeiro lugar, a libertação do cabo do Exército Pablo Emílio Moncayo, para depois entregar os restos do major Julián Guevara à sua família."

 

Os guerrilheiros manifestaram o compromisso de "enviar provas de vida dos 21 comandantes militares e policiais prisioneiros de guerra restantes", para abrir caminho em direção a um acordo humanitário que permita uma troca de reféns por rebeldes presos. O ultimo passo seria "avançar no objetivo de excluir a população civil do confronto". "Alcançar cada um destes objetivos mostra não só nosso esforço, mas, necessariamente, a vontade oficial de alcançá-lo sem contratempos", acrescenta o comunicado

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