Para Farc, libertação de reféns abre possibilidades de paz

Guerrilha entregou Clara Rojas e Consuelo González na quinta; presidente Uribe também propõe negociar 'paz'

LUIS JAIME ACOSTA, REUTERS

11 de janeiro de 2008 | 07h48

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) disseram nesta sexta-feira, 11, que a libertação unilateral de duas reféns é uma esperança e um primeiro passo rumo à paz na Colômbia, para pôr fim ao prolongado conflito de mais de quatro décadas no país. A guerrilha entregou na quinta-feira, a uma missão liderada pela Venezuela, as políticas Clara Rojas e Consuelo González.     "Demos este primeiro passo que convida a se pensar na possibilidade de paz na Colômbia", afirmou o grupo, em comunicado divulgado pela Agência Bolivariana de Imprensa.     O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, também mostrou estar disposto a novas negociações. "Nosso Governo está pronto para a paz com a mesma convicção com a qual conduzimos a política de segurança democrática" (estratégia oficial contra a violência e as drogas), acrescentou. Uribe convidou as Farc "a uma negociação fácil, singela, de boa fé" e em plena segurança.   Veja também: Colômbia pede que outros reféns das Farc sejam libertados Galeria de fotos do resgate das reféns  Farc não devem ser elogiadas por ação, diz assessor de Uribe Reféns agradecem a Chávez Sarkozy celebra resgate EUA aplaudem libertação Mãe de Clara Rojas comemora libertação Assista às imagens da libertação Saiba quem são as reféns Entenda o que são as Farc Cronologia: do seqüestro à libertação As Farc agradeceram à colaboração do presidente venezuelano, Hugo Chávez, a quem entregaram Rojas e González como ato de desagravo, depois que o presidente colombiano, Alvaro Uribe, suspendeu a mediação dele na libertação de reféns. Entre as mais de 40 pessoas mantidas em cativeiro pelas Farc na Colômbia estão a ex-candidata presidencial franco-colombiana Ingrid Betancourt e três norte-americanos. Segundo as Farc, os esforços têm que se concentrar em convencer o governo Uribe a retirar o Exército e a polícia de uma zona montanhosa de 780 km quadrados, para que delegados das duas partes se reúnam e negociem um acordo. A guerrilha quer trocar os reféns por 500 rebeldes presos pelo governo. Uribe, que com o apoio dos Estados Unidos lidera uma agressiva estratégia militar contra a guerrilha, nega-se a desmilitarizar a zona apontada pelos rebeldes.     As Farc a organização tem como propósito anunciado usar a luta armada para derrubar o governo, mas suas táticas mudaram em 1990.   A guerrilha envolveu-se no tráfico de drogas colombiano para levantar dinheiro para sua campanha e passou a realizar seqüestros em troca de libertação de alguns guerrilheiros.     Resgate   Chávez foi o primeiro a confirmar, em Caracas, a libertação das duas seqüestradas que as Farc haviam prometido, no fim do ano passado, entregar a ele.   Clara Rojas, nas suas primeiras declarações, afirmou seu desejo de se encontrar logo com Emmanuel, seu filho nascido em cativeiro. As Farc entregaram o menino aos cuidados de uma pessoa que o levou ao Instituto Colombiano de Bem-estar Familiar (ICBF), um centro estadual de assistência infantil.   Além disso, ela afirmou que não via Ingrid Betancourt, também refém das Farc, sua ex-companheira de chapa nas eleições presidenciais de 2002, há três anos.     "Presidente Chávez, não sei como expressar meu agradecimento por sua gestão humanitária. Sua atitude comprova imensamente a atitude democrata de que um governante precisa", disse González. Ela pediu além disso que o governante venezuelano "não baixe a guarda" no tema dos seqüestrados.     Rojas e Betancourt foram seqüestradas em 23 de fevereiro de 2002. González de Perdomo estava em poder das Farc desde 10 de setembro de 2001.     As duas foram entregues num ponto da floresta do departamento de Guaviare, no sul da Colômbia. A operação começou às 9 horas(de Brasília).   As duas mulheres foram recolhidas por uma missão humanitária formada por delegados do Governo da Venezuela e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que viajaram em helicópteros Venezuelanos.   A missão humanitária contou com a participação do ministro do Interior da Venezuela, Ramón Rodríguez Chacín; do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV); da senadora colombiana Piedad Córdoba; e do embaixador cubano em Caracas, Germán Sánchez.   As duas políticas foram levadas imediatamente à base venezuelana de Santo Domingo. Em seguida, embarcaram em aviões executivos, voando para Caracas, onde foram recebidas por seus parentes e pelo presidente Hugo Chávez.   O governante venezuelano recebeu as duas ex-reféns nas escadas do palácio de Miraflores, sede do Governo. Elas receberam honras especiais, com a execução dos hinos da Colômbia e Venezuela.   Repercussão nos EUA   Em Washington, o Governo dos Estados Unidos aplaudiu a libertação das duas mulheres e voltou a pedir que o grupo guerrilheiro também liberte três americanos que estão em seu poder.   As Farc mantém como reféns desde 2002 os americanos Marc Gonsalves, Keith Stansell e Thomas Howes, que prestavam serviços para o Pentágono em território colombiano.   Ingrid Betancourt, as duas mulheres liberadas e os três americanos figuravam entre os 45 reféns "passíveis de troca" que a guerrilha pretende trocar por cerca de 500 guerrilheiros presos.   O CICV expressou em comunicado que "ainda preocupa o destino dos demais reféns em poder dos grupos armados, assim como de seus parentes, que continuam esperando a liberdade de seus entes queridos".   "Estamos muito contentes, muito satisfeitos por Clara e Consuelo já estarem gozando de sua liberdade, que desejaram durante todos esses anos e que todos os colombianos queríamos que elas obtivessem", disse Holguín.   Em Caracas, a senadora colombiana Piedad Córdoba confirmou que as Farc enviaram novas "provas de vida" de seqüestrados ao presidente venezuelano.   Segundo Córdoba, as provas se referem a Alan Jara, Jorge Turbay, Gloria Polanco, Orlando Beltrán, Eduardo Gechem, um coronel de sobrenome Mendieta, um homem chamado "William" e "outros policiais e soldados".  

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