Para federação empresarial, reforma de Chávez é 'ato ilícito'

Governo da Venezuela reage a crítica da Fedecâmaras classificando documento como ato 'subversivo'

Agências internacionais,

14 de novembro de 2007 | 19h00

A Fedecâmaras, principal federação empresarial da Venezuela, divulgou na terça-feira, 13, um comunicado no qual rechaça a reforma constitucional proposta pelo presidente Hugo Chávez e convoca todos os setores da sociedade venezuelana a se oporem à mesma. Veja também:O documento da Fedecâmaras  Não se pode criticar Chávez por falta de democracia, diz LulaChávez pode vigiar empresas espanholas após crise diplomáticaOposição diz que conselho eleitoral venezuelano favorece 'Sim' Ex-premiê espanhol evita falar do caso Chávez Chávez diz que rei deveria pedir desculpas "Esta proposta de reforma não é outra coisa senão um ato ilícito e violador da institucionalidade republicana", afirmou a associação em um comunicado lido por seu presidente, José Manuel González. No texto, a Fedecâmaras pede aos venezuelanos que se oponham "por todos os meios legais possíveis" à aprovação da reforma.  No próximo dia 2, os venezuelanos decidirão se apóiam ou não uma reforma constitucional defendida por Chávez como instrumento para consolidar o socialismo na Venezuela. Para os oposicionistas partidários do "Não", as mudanças servirão para diminuir as liberdades civis e perpetuar o líder bolivariano no poder. Nesta quarta-feira, 14, o ministro das finanças venezuelano, Rodrigo Cabezas, classificou a crítica da associação como "subversiva". "Queremos alertar que esse documento da Fedecâmaras está em desacordo com a Constituição", disse Cabezas. Na interpretação do ministro, a Fedecâmaras dá a entender "que caso o 'sim' (no referendo previsto para o dia 2) obtenha uma vitória popular, eles não a irão reconhecer".  "Obviamente podemos interpretar que estão com uma atitude de alçada subversiva", disse o ministro. Nova Constituição No texto divulgado na terça-feira, a associação afirma que a proposta apresentada pelo presidente Hugo Chávez e aprovada pela Assembléia Nacional não é uma reforma, mas sim uma nova Constituição que "tergiversa, manipula e desconhece os princípios fundamentais" da Carta Magna vigente.  Por isso, os empresários convidam trabalhadores, políticos, estudantes e todos aqueles que "crêem na iniciativa privada, bem coletivo, justiça social, paz e convivência" a unirem-se contra a reforma.  A idéia, afirma o documento, é que "nos oponhamos por todos os meios legais possíveis a sua aprovação, de forma a garantir que a proposta não seja o começo de um obscuro, empobrecedor e violento período na Venezuela". Ainda segundo a Fedecâmaras, a aprovação da reforma "nos isolará como nação, nos retrocederá ao passado, nos retirará da modernidade e do progresso, detruirá ainda mais nossa moeda, gerará a pior das inflações e disparará ainda mais o custo de vida".

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