Para Fidel, promessas de Obama representam fome para Cuba

Líder cubano responde declarações de pré-candidato democrata sobre promessas de abertura do embargo

REUTERS

26 de maio de 2008 | 11h10

O líder cubano Fidel Castro criticou nesta segunda-feira, 26, o pré-candidato democrata à Presidência dos EUA Barack Obama, dizendo que suas promessas de abertura são uma "fórmula de fome" para a ilha. Obama disse na sexta-feira em Miami que, se for eleito, flexibilizará as viagens de imigrantes cubanos para visitarem parentes na ilha, algo que havia sido limitado desde 2004 pelo governo de George W. Bush.   Veja também: Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA  Acompanhe a disputa entre os pré-candidatos  Em evento numa entidade anticomunista da Flórida, o senador prometeu também facilitar o envio de dinheiro, mas disse que manterá o embargo econômico. "O discurso do candidato Obama se pode traduzir numa fórmula de fome para a nação, as remessas como esmolas, e as visitas a Cuba em propaganda para o consumismo e o modo de vida insustentável que o apóia", disse Fidel em artigo publicado na segunda-feira pela imprensa estatal cubana. Em artigo publicado na sexta-feira, o ex-presidente cubano, de 81 anos, havia lançado ataques contra o candidato republicano à Casa Branca, John McCain, dizendo que "um dilúvio de discursos e mentiras se enfileiram contra Cuba".  Fazendo campanha na terça-feira em Miami, McCain havia criticado as propostas de Obama e dito que manteria o embargo a Havana até que o regime comunista liberte todos os presos políticos e convoque eleições sob monitoramento internacional. Dos três candidatos a presidente dos EUA (contando com a também democrata Hillary Clinton), Obama é o que parece ter uma posição mais tolerante em relação a Cuba. Mesmo assim, atrai a ira de Fidel. "Obama em seu discurso atribui à Revolução Cubana um caráter antidemocrático e carente de respeito à liberdade e os direitos humanos. É exatamente o argumento que, quase sem exceção, utilizaram as administrações dos Estados Unidos para justificar seus crimes contra a nossa pátria", disse Fidel. O histórico revolucionário Fidel entregou o poder provisoriamente a seu irmão Raúl em julho de 2006, devido a uma doença intestinal, e em fevereiro foi definitivamente substituído no cargo, embora mantenha seu poder na qualidade de secretário-geral do Partido Comunista, o único legalizado em Cuba. No artigo, intitulado A política cínica do império, Fidel disse: "A Revolução foi produto do domínio imperial. Não podem nos acusar de tê-la imposto. As mudanças verdadeiras poderiam e deveriam se originar nos Estados Unidos."

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