Para governo Kirchner, pobreza diminui na Argentina

Porém, cálculo de consultoria diverge dos números oficiais e aponta crescimento

Marina Guimarães, Agência Estado

23 de setembro de 2009 | 14h12

A pobreza na Argentina diminuiu no primeiro semestre de 2009 na comparação com o mesmo período de 2008. Segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), a miséria na Argentina caiu de 17,8% para 13,9%, ou seja, de 7 milhões para 5,5 milhões de pessoas, dos quais 1,6 milhão são indigentes. Na semana passada, o Indec reconheceu que o desemprego havia aumentado de 8% para 8,8% em um ano, o que afetava 1,4 milhão de trabalhadores desempregados. Mas, curiosamente, o mesmo não ocorreu em relação à pobreza.

 

A diferença entre os cálculos oficiais e os realizados por analistas continua sendo abismal. Para a consultoria Ecolatina, por exemplo, no mesmo período de comparação já mencionado, o número de habitantes que vive na pobreza subiu de 30,8% para de 31,8%, atingindo 12,7 milhões de pessoas. O número de indigentes também é maior e afeta 11,7% da população, ou seja, 4,7 milhões. Os cálculos da Ecolatina extrapolam os limites dos 31 aglomerados humanos medidos pelo Indec e que são usados também para a confecção dos índices de inflação.

 

A base das diferenças entre as cifras oficiais e as privadas diz respeito justamente aos índices de inflação, suspeitos de serem manipulados por parte do governo. Para medir a pobreza e a indigência são usados como parâmetros os valores da cesta básica total (CBT) e da cesta básica alimentar (CBA). Estes números são extraídos do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que está abaixo dos números reais desde Janeiro de 2007.

 

Em agosto, o Indec disse que a CBT, que inclui alimentos e serviços para a subsistência de uma família composta por pai, mãe e dois filhos, custou 1.025,13 pesos (R$ 483,29). Enquanto que a CBA, que calcula só alimentos básicos para essa família, custou 453,33 pesos (R$ 213,72). Mas para a Ecolatina o preço real da CBT foi de 1.667,3 pesos (R$ 786,038), e da CBA, 809 pesos (R$ 381,98).

 

"Há dois anos que a pobreza e a indigência aumentam na Argentina e a aceleração dos preços explica, na maior parte, esse fenômeno. No último ano ainda somou-se os problemas do desemprego", analisa um estudo realizado pela Ecolatina. A consultoria afirma ainda que "há preocupação de que os preços dos alimentos voltem a subir em um contexto recessivo". O relatório da Ecolatina alerta que "apesar da demanda reprimida, a alta dos preços pode ocorrer por escassez da oferta de trigo, carne e leite".

 

A SEL Consultores, consultoria especializada no mercado trabalhista, afirma em relatório que a pobreza no maior aglomerado urbano do país, capital e até 70 quilômetros em volta, chegava a 31,5%. Nos demais aglomerados, atingia 36%. Para a Universidade Católica Argentina, a pobreza é muito maior e afeta 39% da população. Foi por causa deste resultado que a presidente Cristina Kirchner comprou briga com a Igreja em maio.

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