Para libertar reféns, Colômbia suspende operações militares

Chávez diz que tem coordenadas para resgate; atividades são suspensas a partir das 9 horas em Brasília

Agências internacionais,

10 de janeiro de 2008 | 03h28

O governo da colombiano informou que as operações militares serão suspensas durante 12 horas nos municípios de El Retorno, Miraflores e San José del Guaviare, no departamento de Guaviare, para facilitar a missão de resgate da ex-assessora da campanha de Ingrid Betancourt, Clara Rojas, e da ex-congressista Consuelo González, reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Segundo o comissário de paz do governo colombiano, Luis Carlos Restrepo, as duas podem ser resgatadas ainda nesta quinta-feira.   Veja Também Chávez diz ter coordenadas para resgate de reféns das Farc Colômbia impedirá missão clandestina para buscar reféns Espanha confirma que menino colombiano é Emmanuel   O anúncio veio depois que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse hoje que as Farc lhe deram as coordenadas do local onde serão deixadas as duas reféns que o grupo prometeu libertar. O ministro, em declarações à imprensa, disse que as operações estão suspensas a partir das 6 horas (9 horas de Brasília) desta quinta-feira, 10, até as 18 horas (21 horas de Brasília).   "Dois helicópteros sairão da Venezuela e chegarão a San José del Guaviare. Não recebemos o plano de vôo, mas se tudo sair bem eles partirão de San José por volta das 9h30 para recolher as seqüestradas e então voltarão para a Venezuela", disse Santos. Ele informou também que só estarão a bordo os delegados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), o ministro do Interior da Venezuela, Ramón Rodríguez Chacín, um funcionário da Presidência venezuelana, um assistente e o embaixador de Cuba em Caracas.   O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou na quarta-feira ter recebido as coordenadas do local em que serão libertadas duas reféns que estão em poder das Farc. O grupo guerrilheiro suspendeu a libertação dos reféns em 31 de dezembro, alegando que operações militares do Exército da Colômbia impediam a entrega das reféns. O governo da Colômbia negou com veemência as alegações das Farc. Se concretizado o resgate, será a primeira vez na história do conflito colombiano que as Farc libertam de maneira incondicional e unilateral um grupo de reféns.   Resgate frustrado   A primeira missão de resgate foi adiada pelas Farc porque os rebeldes acusaram o governo colombiano de realizar uma nova ofensiva militar na selva colombiana, fato que teria impedido a libertação das reféns. Pouco tempo depois, à partir de uma hipótese levantada pelo presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, veio à tona a informação de que Emmanuel, filho de Clara, já não estava em cativeiro e sim internado em um orfanato em Bogotá.   A hipótese de Uribe foi confirmada por meio de um exame de DNA e logo depois confirmada pelos guerrilheiros: Emmanuel já não estava em poder das Farc. Nesta quarta-feira o anúncio do segundo exame de DNA, realizado em Santiago de Compostela, na Espanha, coloca um ponto final sobre a questão da identidade da criança encontrada no orfanato.   Emmanuel, nascido em cativeiro há pouco mais de três anos, havia sido entregue pelas Farc a uma família de camponeses em Guaviare e logo depois teria sido levado para o Instituto de Bem-Estar Familiar na capital colombiana. Diplomacia afetada   A missão de resgate dos reféns também provocou um mal-estar diplomático entre o governo da Colômbia e os países membros da comissão internacional humanitária, que acompanhou a primeira tentativa de recuperá-los. O chanceler da Colômbia, Fernando Araújo, afirmou na terça-feira que a comissão internacional colocou em dúvida as informações provenientes do governo da Colômbia, admitindo apenas como "reais as mentiras das Farc".   Na ocasião, integraram a comissão internacional o assessor especial da Presidência brasileira, Marco Aurélio Garcia, o ex-presidente argentino Néstor Kirchner e representantes dos governos de Cuba, Equador, Bolívia, França e Suíça. Marco Aurélio Garcia negou simpatizar com as Farc e afirmou à BBC Brasil que a comissão assumiu uma posição "neutra".   Em dezembro, as Farc anunciaram que entregariam os reféns como um "ato de desagravo" ao presidente Chávez e aos familiares dos reféns, em resposta à decisão de Uribe de terminar com a mediação do presidente venezuelano no acordo humanitário entre os rebeldes e o governo da Colômbia.

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