Para Morales, governo da Colômbia 'trai' a região

O presidente da Bolívia argumentou que política abriria as portas a eventuais intervenções dos EUA na região

REUTERS

07 de agosto de 2009 | 18h58

O presidente da Bolívia, Evo Morales, voltou a criticar nesta sexta-feira, 7, o provável aumento da presença militar norte-americana na Colômbia, acusando o governo de Alvaro Uribe de cometer uma "traição" contra os povos latino-americanos.

 

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Pela terceira vez em quatro dias, Morales conclamou seus colegas latino-americanos a bloquear o acordo Bogotá-Washington, com o argumento de que uma "política de extraterritorialidade" abriria as portas a eventuais intervenções militares de Washington na região.

"Quem quer implementar bases militares na América Latina são traidores dos seus povos, da América Latina, e desses povos que lutam por sua dignidade e soberania", disse o governante indígena esquerdista em discurso por ocasião do Dia das Forças Armadas, na cidade de Oruro.

Nesta semana, Uribe visitou os países sul-americanos - exceto Equador e Venezuela, com os quais está rompido - para explicar o acordo que daria aos EUA acesso a sete bases militares colombianas.

Morales, aliado dos governos de Equador e Venezuela, recebeu Uribe na terça-feira, mas não deu boa acolhida às explicações e anunciou que proporá ao bloco regional Unasul uma resolução condenando a proposta, durante a cúpula marcada para a próxima segunda-feira, em Quito.

Uribe, no entanto, conquistou durante a viagem o importante respaldo do Brasil, principal economia latino-americana, e também obteve respostas positivas de Chile, Paraguai e Peru quanto à soberania de Bogotá para tomar suas decisões.

Morales afirmou na quarta-feira que a guerrilha colombiana Farc havia se tornado "o maior instrumento do império", por servir de pretexto às ações dos EUA.

Na sexta-feira, o presidente boliviano voltou à carga, dizendo que questionava "com muito respeito" as decisões de Uribe, mas sem esquecer que nos seus tempos de sindicalista, líder dos plantadores de coca, foi reprimido por policiais e militares bolivianos comandados por oficiais norte-americanos.

"Isso já acabou. Somos um país pequeno, mas com dignidade", afirmou em seu discurso transmitido pela TV estatal, lembrando que a nova Constituição boliviana, em vigor desde o começo do ano, proíbe a instalação de bases militares estrangeiras no país.

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