Para OMS, não é o momento de investigar origem de surto de cólera no Haiti

Prioridade é controlar a doença que já matou mais de 900 pessoas, diz organização da ONU

Efe

16 de novembro de 2010 | 12h02

GENEBRA - A Organização Mundial da Saúde (OMS) destacou nesta terça-feira que a prioridade neste momento é evitar a propagação do surto de cólera no Haiti e tratar os contaminados, e não investigar as causas da epidemia que já deixou 917 mortos no país.

 

"A prioridade agora não é investigar a origem do surto, mas controlá-lo e dar assistência aos doentes", ressaltou a porta-voz da OMS Fadela Chaib em entrevista coletiva em Genebra.

 

As declarações da porta-voz foram dadas depois que surgiram rumores de que a epidemia pode ter sido provocada pelas forças da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), que teriam contaminado um rio em Mirebalais.

 

Nesta segunda-feira foram registrados graves protestos nas ruas de Cap Haitien, no norte do país, contra a presença da Minustah no Haiti.

 

A porta-voz da OMS negou que a organização tenha adotado alguma decisão formal para impedir a investigação da origem da epidemia.

 

"Não decidimos não investigar, só dissemos que não é uma prioridade agora. Mas talvez possamos investigar no futuro", ressaltou.

 

Ela também afirmou que a doença "estará presente durante muitos anos no Haiti".

 

"A bactéria que a transmite está presente no meio ambiente, e o sistema de água e saneamento no Haiti está em um estado deplorável, por isso a doença não deve desaparecer rapidamente", alertou.

 

Por sua vez, a porta-voz chefe da ONU em Genebra, Corinne Momal-Vanian, disse que os protestos desta segunda-feira contra a presença da Minustah no Haiti foram "politicamente motivados" pelo período pré-eleitoral.

 

Além disso, referiu-se a um comunicado emitido pela ONU em Porto Príncipe, que destaca que "foram feitos vários experimentos" (para verificar a responsabilidade dos agentes da Minustah) e "todos deram negativo".

 

A porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), Elizabeth Byrs, fez uma chamada urgente aos Estado-membros da ONU para que cumpram suas promessas em matéria de financiamento para dar assistência à crise humanitária no país.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.