Para oposição, Evo Morales está 'desesperado' por reeleição

Chefe do Senado boliviano diz que presidente quer aprovar Constituição 'sem consenso' com motivação eleitoral

Efe,

06 de outubro de 2008 | 18h05

O chefe do Senado na Bolívia, o opositor Óscar Ortiz, afirmou nesta segunda-feira, 6, que o presidente Evo Morales está "desesperado" para ser reeleito o mais rápido possível e, para isso, quer que seja aprovado um projeto constituicional que "não tem consenso nacional". "Vemos um desespero no presidente e seu partido porque ele quer a reeleição o mais breve possível", disse Ortiz, legislador do conservador Poder Democrático e Social (Podemos) e representante de Santa Cruz, reduto da oposição autonomista. Veja também:Governo Evo pode mudar Constituição antes do referendoEvo diz que pode adiantar eleições gerais na BolíviaOpositores recusam nova oferta de Evo para acordo na Bolívia Segundo Ortiz, Evo procura a "reeleição" para aplicar uma Constituição que permita a ele "controlar tudo: as duas câmaras do Congresso, o Tribunal Constitucional, o Tribunal Eleitoral e a Corte Suprema". "Isso é dar uma fachada constitucional ao que na realidade seria uma ditadura com um regime praticamente de partido único, isso é o que estão querendo conseguir e, certamente, nós não estamos de acordo com isso", disse o presidente do Senado. Ortiz pediu nesta segunda ao governo mais tempo para alterar o projeto de nova Carta Magna e advertiu que, se isso não acontecer, seu partido votará contra o referendo que deve validar o texto constitucional. "Vamos voltar a pedir que se dê tempo para alterações e, caso o Movimento ao Socialismo (MAS) se negue, obviamente votaremos contra a convocação", disse o senador Ortiz. Evo pediu ao Congresso que aprove antes de 15 de outubro a convocação de um referendo que valide a nova Carta Magna, enquanto os movimentos sociais que lhe apóiam iniciarão dois dias antes uma manifestação para pressionar os parlamentares nesse sentido. Reforço em Pando Ainda nesta segunda-feira, o governo da Bolívia anunciou que reforçará a presença militar na região de Pando, no norte do país e fronteira com Brasil e Peru, com a instalação de um Comando Amazônico quando terminar o estado de sítio declarado nesse Departamento. O ministro da Defesa boliviano, Wálker San Miguel, declarou à rede Erbol que "a presença militar vai permitir a geração de uma verdadeira institucionalização" em Pando, onde o Executivo decretou o estado de sítio em 12 de setembro após a onda de violência entre opositores e governistas que deixou pelo menos 18 mortos. Segundo a Erbol, que cita fontes do Governo, o Comando Amazônico consistirá em um contingente formado por soldados da Força Aérea, Naval e Exército que será instalado entre La Paz, o Departamento de Beni, no nordeste, e Pando. San Miguel esclareceu que a instalação do Comando Amazônico não significa uma ampliação do estado de sítio, mas "mais quartéis na zona e maior presença das instituições do Estado" para quando finalizar a medida. O presidente boliviano, Evo Morales, já tinha anunciado no final de setembro que quando expirassem os 90 dias de estado de sítio, em Pando seria alocada uma "forte presença estatal." O governo determinou o estado de sítio um dia após os violentos choques entre governistas e opositores autonomistas que, em 11 de setembro, causaram a morte de pelo menos 18 pessoas, no meio da onda de violência que se estendeu por várias regiões do país. Pela violação do estado de sítio, o Executivo ordenou a detenção do então governador regional, o opositor Leopoldo Fernández, recluso atualmente em uma penitenciária de La Paz, acusado de terrorismo e homicídio. Além disso, Evo nomeou um militar para substituí-lo à frente do Departamento.  Fracasso no diálogo No domingo, o governo e a oposição regional da Bolívia terminaram sem acordo as conversas de três semanas para terminar a crise política que afeta o país, deixando nas mãos do Congresso Nacional a possível convocação de um referendo para aprovar a Constituição de Evo. Embora o governo Evo não tenha dado por encerrada "esta etapa de diálogo", os governadores regionais opositores consideraram culminado este processo, iniciado no dia 18 de setembro após a onda de violência que sacudiu o país.

Tudo o que sabemos sobre:
Bolíviacrise na BolíviaEvo Morales

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.