Paraguai acusa Argentina de desviar água de rio compartilhado

O Paraguai acusou nesta quarta-feira a Argentina de ter aberto um canal para desviar água de um rio compartilhado entre os dois países em uma área de produção pecuária, e classificou a situação como "de muito incômodo e muito grave".

REUTERS

22 de setembro de 2010 | 16h54

O rio Pilcomayo, que nasce nos Andes bolivianos, divide os departamentos de Chaco, no sudoeste do Paraguai, e o de Formosa, no norte da Argentina, em uma área de clima seco e com presença de muitas fazendas de criação animal.

O Ministério de Obras Públicas do Paraguai acusou a Argentina de ter aberto um novo canal sem qualquer consulta, após ter abandonado os trabalho de limpeza de um outro desvio já existente, similar a um que o governo paraguaio se comprometeu a manter.

Os dois países concordaram em realizar uma reunião de emergência da Comissão Binacional do Pilcomayo para buscar uma saída para o problema em menos de um mês, quando começa o período de maior cheia do rio.

"Esse problema se origina na falta de ação exatamente do governo argentino. Quem não fez o seu trabalho foram os argentinos", disse o ministro de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai, Efraín Alegre.

"Isso nos causa uma situação de muito incômodo e muito grave", acrescentou o ministro, que apresentou documentos à chancelaria do país para levar adiante uma reclamação diplomática oficial.

O chanceler paraguaio, Héctor Lacognata, chamou o embaixador da Argentina em Assunção, Rafael Romá, para falar sobre o assunto, após conversar por telefone com o chanceler argentino, Héctor Timerman.

"Expressamos a nossa preocupação e o nosso desejo de que esta situação tenha uma solução muito em breve", disse Lacognata.

O governo argentino, através de Romá, disse que não tem qualquer conhecimento sobre o canal e que a obra poderia ser privada ou de responsabilidade do governo local de Formosa.

(Reportagem de Daniela Desantis)

Tudo o que sabemos sobre:
PARAGUAIARGENTINA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.