Paraguai prepara regresso ao Mercosul e Congresso deve aprovar entrada da Venezuela

O governo paraguaio pediu nesta quinta-feira ao Senado que aprove a adesão da Venezuela ao Mercosul, um passo que o presidente Horacio Cartes considera necessário para a reincorporação plena do país ao bloco, do qual foi suspenso em junho de 2012.

Reuters

05 de dezembro de 2013 | 17h40

O Paraguai não comparece às reuniões do Mercosul desde sua suspensão por causa de um vertiginoso julgamento político que levou à destituição do poder do presidente Fernando Lugo, político socialista, quando faltava menos de um ano para o fim de seu mandato.

A Venezuela foi aceita como membro pelos demais integrantes, a Argentina, o Brasil e o Uruguai, sem que o Paraguai tivesse aprovado seu ingresso.

O bloco retirou a sanção contra o Paraguai em agosto, quando o conservador Cartes assumiu a Presidência do país. Mas o novo dirigente disse que a nação voltaria ao Mercosul somente quando o Congresso aprovasse a incorporação da Venezuela.

"É importante que o Paraguai tenha novamente um papel de protagonista no Mercosul e com este ato vamos conseguir sua institucionalização", disse o chanceler Eladio Loizaga a jornalistas, ao confirmar o envio de documentos ao Legislativo.

Em meados de 2012, o Senado paraguaio rejeitou a adesão, depois de questionar a situação política na Venezuela, mas Cartes contaria agora com os votos favoráveis.

O Partido Colorado, do presidente, não tem maioria no Senado, mas outros grupos, como a coalizão esquerdista Frente Guasu, liderada por Lugo, também dariam apoio à proposta. Os colorados perfazem mais da metade dos deputados.

"Existe a vontade política necessária para que possamos aprovar o acordo", disse o presidente do Congresso, o colorado Julio César Velázquez.

O protocolo deve ser analisado pelo plenário na semana que vem e remetido à Câmara dos Deputados antes do recesso legislativo no fim de dezembro, acrescentou o senador.

Paraguai e Venezuela romperam relações depois da destituição de Lugo, mas as restabeleceram há dois meses, pouco depois de um encontro de Cartes com o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em uma cúpula no Suriname.

A decisão do presidente foi contestada por um setor da oposição, que exigiu que ele esclarecesse as negociações mantidas com os países da região.

"Neste momento o bloco não nos concede nenhuma segurança como país. Mas suponhamos que a razão política se imponha sobre a jurídica..., então que o presidente nos diga o que está negociando em troca", disse a senadora Desiré Masi.

A suspensão manteve o Paraguai à margem das reuniões e decisões políticas do Mercosul, mas não resultou em sanções econômicas, nem afetou questões comerciais.

(Reportagem de Daniela Desantis e Mariel Cristaldo)

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