Paramilitares colombianos ingeriam sangue e carne humana

Em vídeo, ex-combatente revela que chefes obrigavam grupo a consumir, afirmam parlamentares

Efe,

02 de agosto de 2007 | 16h31

Chefes paramilitares de extrema-direita colombianos obrigavam seus subordinados a beber sangue e comer carne humana, confessou um ex-combatente das facções em um vídeo, revelaram nesta quinta-feira, 2, parlamentares do país.  Veja Também Uribe aceita criação de 'zona de encontro' com Farc O vídeo foi apresentado na noite de quarta-feira em um debate Câmara dos Deputados da Colômbia que analisou os avanços, e retrocessos da Lei de Justiça e Paz, marco legal da desmobilização de grupos armados no país. Segundo o ex-paramilitar "Robinson", os chefes obrigavam o grupo a consumir carne e sangue de suas vítimas. "Robinson" disse que a "prova de fogo" na facção era assassinar e esquartejar o melhor amigo de cada um, e quem fazia isso recebia "parabéns" dos comandantes. "Quando não havia carne, mandavam tirá-la dos cadáveres para comer", disse o paramilitar. Ele confessou ter feito isso uma vez, mas que outros faziam várias regularmente, entre eles o comandante, conhecido como "Muela Rica". O grupo em que "Robinson" combatia agia no departamento do Putumayo, nos Andes colombianos. A gravação foi apresentada pelo deputado Guillermo Rivera, no debate em que o Partido Liberal criticou os alcances e resultados da Lei de Justiça e Paz. Na mesma sessão, o governo da Colômbia, por meio dos ministros do Interior e de Justiça, Carlos Holguín, e de Defesa, Juan Manuel Santos, defenderam o processo de desmobilização. Os representantes Rivera e Germán Olano criticaram a campanha oficial para aplicar caráter político aos crimes dos paramilitares e questionaram se "esses antropófagos" serão os parlamentares de amanhã. Se os ex-combatentes forem perdoados, não serão condenados, podem ser indultados e poderão ser eleitos. Tanto o ministro Holguín quanto o da Defesa, no entanto, defenderam a Lei de Justiça e Paz.

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