Parentes denunciam situação de presos cubanos

As denúncias foram apresentadas durante a entrevista coletiva realizada na residência do chefe de Escritório de Interesses dos Estados Unidos em Havana

EFE

11 de agosto de 2007 | 02h22

Dissidentes e parentes de vários presos políticos e comuns cubanos denunciaram nesta sexta-feira em Havana maus-tratos, abusos e falta de atendimento médico nas prisões de Cuba, assim como o silêncio das autoridades diante das suas queixas. As denúncias foram apresentadas durante a entrevista coletiva realizada na residência do chefe de Escritório de Interesses dos Estados Unidos em Havana, Michael Parmly, com testemunhos de presos e ex-presos.   A dissidente e ex-presa política Marta Beatriz Roque disse que os casos e testemunhos levados à conferência são "uma mostra de diferentes situações que incluem os presos comuns, também objeto de violações dos direitos humanos".   Outro depoimento foi o de Pedro Larena, primo do dissidente Manuel Acosta Larena. O membro do grupo opositor ilegal "Movimento Democracia", no dia 24 de junho, apareceu enforcado numa cela em Cienfuegos, centro do país. As autoridades consideraram o caso um suicídio.   Larena lembrou que seu primo Manuel tinha sido detido dia 21 e seria processado pelo crime de "periculosidade pré-criminosa". Ele escreveu uma carta ao presidente interino de Cuba, Raúl Castro, solicitando "uma profunda investigação para esclarecer todas as circunstâncias da morte" do seu primo, mas ainda não recebeu Resposta.   "Um dos motivos pelos quais me encontro aqui em Havana é para isso, para exigir a resposta do caso", disse. Yaraí Reyes, mulher do preso político Normando Hernández, um dos 75 dissidentes condenados em 2003, também denunciou a situação na prisão Quilo-7, em Camagüey. Ela afirmou que o estado de saúde do marido é "crítico", devido a graves transtornos gastrintestinais, má absorção dos alimentos e hipertensão.   Segundo Reyes, as autoridades da prisão negaram o seu pedido de uma licença para tratamento, apesar de os médicos do presídio reconhecerem que Hernández sofre de "uma doença incompatível com o meio penitenciário".   Durante a conferência também foi apresentada uma denúncia gravada do dissidente detido Juan Carlos Herrera Acosta. Ele reivindicou "justiça" e a punição dos responsáveis pela morte de três presos comuns na prisão Quilo-8, após uma briga no dia 29 de julho.   Segundo Herrera Acosta, dois "foram assassinados com sanha" pelos carcereiros. Estrella Aramburu, mãe de Harold Aramburu e tia de Mikel Delgado, condenados à cadeia perpétua em 2003 pelo seqüestro da lancha Baraguá, denunciou que os dois têm problemas de saúde e não foram bem atendidos na prisão, em Havana.   "Estou desesperada, escrevi cartas para todo o mundo e só recebi respostas vagas. Eles estão nas mesmas condições depois de quatro anos e meio presos", acrescentou.   O opositor José Luis García Pérez, que passou 17 anos preso, disse que as condições nas prisões que conheceu "são deploráveis". "O tratamento que recebem os presos é desumano e há um sentimento de animosidade, não somente dos militares mas também dos enfermeiros e médicos", denunciou.

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