Parentes nos EUA podem patrocinar novos negócios em Cuba

Rolando tem grandes planos para a sua pequena academia de ginástica, que funciona informalmente numa garagem de Havana. Primeiro, quer legalizá-la, depois comprar novos equipamentos e, por que não?, até construir uma sauna.

ESTEBAN ISRAEL, REUTERS

23 de setembro de 2010 | 20h38

Mas, para que se torne um dos 250 mil novos empresários que Cuba prometeu autorizar, ele precisa de capital e, num país comunista sem serviços financeiros, isso normalmente significa recorrer aos parentes nos EUA, onde há 1,5 milhão de emigrantes cubanos.

"Meu primo recentemente veio de Miami e tirou fotos da academia. Ele disse que eu poderia contar com ele para o que precisasse. Acho que chegou a hora de ligar para ele para que saiba que é hora de ampliar o negócio."

Rolando diz que precisaria de mil dólares para as melhorias na academia, onde cobra 5 a 15 dólares por mês para clientes que usam equipamentos caseiros, como uma esteira de corrida feita de canos metálicos.

Atualmente, Cuba tem apenas 143 mil profissionais autônomos, mas o governo de Raúl Castro recentemente decidiu triplicar esse número e cortar 500 mil empregos públicos. O estímulo ao empreendedorismo deve estimular o fluxo de capitais dos cubanos no exterior para seus parentes na ilha, segundo especialistas.

Apesar das inimizades entre Cuba e Estados Unidos, não há restrições a essas remessas financeiras, que já representam uma importante fonte de divisas para Cuba - acredita-se que tenham atingido 1,2 bilhão de dólares no ano passado, sendo mais de metade vinda de cidadãos cubanos radicados nos EUA.

"Liberalizar a economia poderia levar 10 por cento dos cubanos que recebem remessas a investirem em pequenas empresas", disse Manuel Orozco, da entidade Diálogo Interamericano, de Washington.

Segundo ele, 750 mil lares cubanos atualmente recebem dinheiro do exterior, e desse total entre 75-100 mil cubanos estariam propensos a investirem em pequenos negócios, com um investimento médio de 2.500 dólares.

As remessas de emigrantes foram essenciais para a modernização de outros países socialistas, como o Vietnã na década de 1980, segundo um economista cubano que pediu anonimato. "Sabemos que aqui seria igual. De quanto dinheiro estamos falando? Bom, isso é algo que nem um mágico poderá dizer", afirmou ele à Reuters.

Durante a crise financeira da década de 1990, Cuba já experimentou reformas semelhantes, revertidas quando a situação melhorou.

Essa experiência deixou Rolando cauteloso quanto aos seus planos.

"Já tenho até a placa da academia pronta, mas vou esperar para ver se tudo isso é para valer", afirmou. "Só aí vou pendurá-la na porta."

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