Paris anuncia que missão francesa deixará Colômbia em breve

Missão humanitária sairá do país pela falta de acordo com as Farc, diz Ministério das Relações Exteriores francês

Agências internacionais,

08 de abril de 2008 | 18h43

A missão humanitária enviada por Paris para socorrer a refém franco-colombiana Ingrid Betancourt "deixará a Colômbia em breve" devido a falta de acordo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), disse em comunicado o Ministério das Relações Exteriores francês nesta terça-feira, 8, segundo a agência France Presse.   Veja também: Ministro francês anuncia viagem à Colômbia Farc dizem que missão francesa para reféns 'não é procedente' Brasil pede libertação de Ingrid e demais reféns das Farc Ingrid pode não estar tão doente quanto se pensava, diz França Cercadas, Farc vêem opções se esgotarem Conheça a trajetória de Ingrid Betancourt  Por dentro das Farc  Entenda a crise  Histórico dos conflitos armados na região     Ainda nesta terça-feira, o ministro francês de Assuntos Exteriores, Bernard Kouchner, anunciou em comunicado que viajará "em breve para a região" para discutir a situação dos reféns das Farc "com os dirigentes dos países mais preocupados."   Manter a missão na região "não se justifica pelo momento", diz a nota do governo francês. "A determinação dos três países (Espanha, Colômbia e Suíça) continua intacta. Seguiremos plenamente mobilizados em favor da libertação de Ingrid Betancourt e dos reféns mais debilitados, numa solução humanitária", conclui.   Os três países, que "tomam nota" da decisão do controle da guerrilha, "lamentam ainda mais" que somente após "uma mensagem das Farc foi informado em termos claros que a saúde de Ingrid havia se degradado profundamente". A missão conjunta agradece as autoridades colombianas, que desde o começo "deram todas as garantias de segurança e independência."   Mais cedo, as Farc afirmaram que "não é procedente" a missão médica iniciada pela França para prestar assistência a Ingrid e a outros reféns em mau estado de saúde. Em comunicado divulgado nesta terça-feira, pela Agência Bolivariana de Imprensa (ABP), o comando central da guerrilha advertiu que o governo francês lançou há sete dias a campanha sem antes negociar com os rebeldes.   "Pelas mesmas razões expostas ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha em 17 de janeiro, a missão médica francesa não é procedente e muito menos quando não é resultado de negociação, mas da má fé de Uribe perante o governo do Palácio do Eliseu e uma mentira desalmada às expectativas dos parentes dos prisioneiros", ressaltou o comando central rebelde.   "Não agimos sob chantagens nem sob o impulso de campanhas midiáticas", afirmou. "Se no início do ano o presidente Uribe tivesse desmilitarizado Pradera e Florida - localidades do sudoeste - por 45 dias, tanto Ingrid Betancourt quanto os militares e guerrilheiros presos já teriam recuperado sua liberdade, e seria a vitória de todos", disse a guerrilha.   A organização se referiu à sua exigência de um território sem tropas a qual ratificou em 27 de fevereiro, ao colocar em liberdade quatro ex-congressistas seqüestrados, na segunda e última entrega unilateral de reféns. A primeira aconteceu no dia 10 de janeiro, quando os rebeldes libertaram Clara Rojas, ex-companheira de chapa de Betancourt como candidata à Vice-Presidência, e a ex-legisladora Consuelo González de Perdomo.   As seis libertações foram um "gesto de generosidade e vontade política das Farc, não de fraqueza ou resultado de uma pressão", apontou o comando rebelde. Além disso, continuou, "obedeceram a uma decisão soberana da insurgência das Farc estimulada pelo persistente trabalho humanitário do presidente (venezuelano) Hugo Chávez e da senadora (colombiana) Piedad Córdoba."   Ambos atuaram até o final de novembro como mediadores do acordo humanitário com o governo de Uribe, ao qual os rebeldes atrelavam a entrega de 40 reféns à libertação de 500 guerrilheiros presos, entre eles dois extraditados aos Estados Unidos.     (Matéria ampliada às 20h15)

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