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Parlamento cubano aponta sucessor de Fidel neste domingo

O Parlamento cubano designará nestedomingo o sucessor de Fidel Castro, depositando nas mãos de seuirmão Raúl o desafio de reanimar a economia sem comprometer osocialismo. Esta será a primeira mudança no poder em Cuba desde 1959,quando Fidel derrotou o ditador Fulgêncio Batista. Não deveacontecer nenhuma surpresa neste dia. Raúl, que governa interinamente há 19 meses, desde que seuirmão ficou doente, será indicado e eleito como novo chefe deEstado pela Assembléia Nacional, o Parlamento, em uma sessãoprevista para começar às 12h (horário de Brasília). O general de 76 anos se firmou no poder e tem prometidomelhoras na qualidade de vida, que tem se deteriorado. Raúl já deixou claro que não abandonará o regime socialistaque ajudou seu irmão a levantar em um país que fica a cerca de145 quilômetros de distância dos Estados Unidos, o inimigo quepediu, nesta semana, a "abertura política" na ilha. "O que muda, quando se muda e como se muda é um assuntoexclusivo daqueles que fizeram a revolução e de quem hoje amantém viva", disse no domingo o jornal oficial JuventudeRebelde. O sentimento comum é que o debate para diagnosticar osproblemas de Cuba parece ter despertado em muitos esperanças demudanças econômicas graduais. "Ideologicamente não há diferença. Os ideais de Raúl sãoidênticos aos de Fidel. O que pesa é que cada um tem uma formadiferente de governar", disse Alejandro Ferrás, de 87 anos, queacompanhou em 1953 os irmãos Castro em suas primeiras ações. Fidel Castro, de 81 anos, continuará como chefe do PartidoComunista, o único legal na ilha. E conservará sua aura comoúltima lenda viva da esquerda mundial. A saída de Fidel depois de quase meio século de poder podeiniciar, no entanto, algumas alterações no poder. Por isso,muitos querem mudanças no perfil do Conselho de Estado de 31membros que também será eleito neste domingo pelo Parlamento apartir de uma lista única.Raúl Castro poderia, por exemplo, deixar seu atual cargo device-presidente para Carlos Lage, um médico de 56 anosconsiderado o cérebro de uma tímida abertura econômica nadécada de 1990 e que tem atuado muito desde a doença de Fidel. A composição do executivo deverá ser mais relevante comRaúl do que com Fidel. "É outro estilo de governo. Fidel faziaquase tudo sozinho. Raúl distribui responsabilidades", disse ummilitante do Partido Comunista.

ESTEBAN ISRAEL, REUTERS

24 de fevereiro de 2008 | 10h22

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