Parlamento cubano inicia escolha de sucessor de Fidel Castro

Sessão teve início às 12h, horário de Brasília; Ao que tudo indica, Raúl Castro deve ser eleito como o novo líder

Reuters,

24 de fevereiro de 2008 | 13h06

A Assembléia Nacional de Cuba, o Parlamento do país, iniciou neste domingo, 24, uma sessão histórica pela eleger o sucessor do líder Fidel Castro, quem há cinco dias pôs fim a uma era ao renunciar ao poder depois de quase meio século. Tudo indica que a Assembléia Nacional elegerá nas próximas horas a seu irmão, Raúl, general de 76 anos, como novo chefe de Estado. A sessão teve início às 12h - horário de Brasília.   Veja também: Após 49 anos no poder, Fidel Castro renuncia à Presidência Guterman: como a história julgará Fidel?   Fidel Castro: herói ou vilão?  Ruy Mesquita fala sobre Fidel Castro e Cuba Leia cobertura completa da renúncia de Fidel    Raúl, vestido em um traje civil azul escuro, foi recebido com aplausos vigorosos pelos deputados ao ingressar no Palácio das Convenções, na região oeste de Havana, decorado com uma enorme bandeira cubana.  A presidente da Comissão Eleitoral Nacional, María Esther Reus, leu os nomes dos 614 integrantes da nova legislatura, começando por Fidel Castro, que não está presente e enviou seu voto em um envelope fechado, sendo aplaudido por todos.   Esta será a primeira mudança no poder em Cuba desde 1959, quando Fidel e seu grupo derrotaram o ditador Fulgêncio Batista. Não devem acontecer surpresas neste dia.   Favoritismo de Raúl "Será Raúl Castro, porque sempre foi o número dois e sempre seguiu a linha da revolução. A continuidade está feita", disse Moreno, de 67 anos, trabalhador de uma empresa estatal de turismo.  Raúl atualmente é primeiro vice-presidente dos conselhos de Estado e de Ministros, segundo secretário do partido e ministro das Forças Armadas, além de único cubano com categoria de general de Exército. Ele governa interinamente há 19 meses, desde que seu irmão ficou doente, e tem prometido melhoras na qualidade de vida dos cubanos. O general já deixou claro que não abandonará o regime socialista que ajudou com seu irmão a levantar em um país que fica a cerca de 145 quilômetros de distância dos Estados Unidos, o inimigo que pediu, nesta semana, a "abertura democrática" na ilha.   Mudanças  "O que muda, quando se muda e como se muda é um assunto exclusivo daqueles que fizeram a revolução e de quem hoje a mantém viva", disse no domingo o jornal oficial Juventude Rebelde.  O sentimento comum é que o debate para diagnosticar os problemas de Cuba parece ter despertado em muitos esperanças de mudanças econômicas graduais. "Ideologicamente não há diferença. Os ideais de Raúl são idênticos aos de Fidel. O que pesa é que cada um tem uma forma diferente de governar", disse Alejandro Ferrás, de 87 anos, que acompanhou em 1953 os irmãos Castro em suas primeiras ações.  Fidel Castro, de 81 anos, continuará como chefe do Partido Comunista, o único legalizado na ilha, e conservará sua aura como última lenda viva da esquerda mundial.  A  saída de Fidel depois de quase meio século de poder pode iniciar, no entanto, algumas alterações. Por isso, muitos querem mudanças no perfil do Conselho de Estado de 31 membros que também será eleito neste domingo, 24, pelo Parlamento a partir de uma lista única.  Antes de nomear o Conselho de Estado, a Assembléia Nacional do Poder Popular elegerá sua própria direção para esta legislatura de cinco anos.  

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