Parte de terras de brasiguaios é legal, admite Paraguai

Confirmação provoca impasse entre agricultores sem terra paraguaios, que exigem saída dos brasileiros do país

Agência Estado e Associated Press,

30 de outubro de 2008 | 11h26

O governo paraguaio admitiu nesta quinta-feira, 30, que em pelo menos um setor do departamento (Estado) de São Pedro as terras onde colonos brasileiros plantam soja são legais. A informação causou desconforto entre agricultores sem terra paraguaios que ameaçavam incendiar silos cheios de soja pertencentes aos fazendeiros brasileiros.   Alberto Romero, do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraguai (Indert), afirmou nesta quinta-feira que, "depois de verificar as informações referentes a diversas propriedades de colonos brasileiros, que somam cerca de 500 hectares no distrito de Lima, no departamento de São Pedro, apenas 52 hectares mostraram-se irregulares e serão recuperadas" para assentar os agricultores sem terra.   De acordo com ele, no entanto, ainda é preciso checar a situação de milhares de hectares em outras áreas de São Pedro, cerca de 340 quilômetros ao norte de Assunção. A informação do Indert coincide com as garantias oferecidas recentemente pelo presidente do Paraguai, Fernando Lugo, de que nenhum colono brasileiro com terras em condições legais será expulso do país.   Cerca de 300 mil "brasiguaios" vivem hoje na fronteira comum entre os dois países, 80% deles dedicados à lavoura da soja. A reforma agrária é uma das principais promessas do presidente paraguaio Fernando Lugo, eleito em abril deste ano e que encerrou uma hegemonia de 61 anos de poder do Partido Colorado no país. Ex-bispo católico, Lugo teve uma carreira ligada aos movimentos sociais e também prometeu renegociar o tratado da Hidrelétrica Binacional de Itaipu para conseguir um preço "justo" para a energia excedente que o Paraguai vende ao Brasil.

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