Partidários de Chávez estão devastados com piora de sua saúde

Partidários apaixonados do presidente venezuelano, Hugo Chávez, rezavam e choravam nesta terça-feira com o sério revés em sua batalha contra um câncer que ameaça acabar com 14 anos de liderança.

Reuters

05 de março de 2013 | 13h40

"Há tanta tristeza e confusão", disse a "chavista" Marisol Aponte, uma agente comunitária nas favelas de Caracas, com a voz embargada de emoção. "Mas temos de ser fortes e colocar em prática tudo o que ele nos ensinou."

Em um dos anúncios mais pessimistas até hoje sobre a saúde de Chávez, o governo disse na segunda-feira à noite que seus problemas respiratórios pioraram e ele estava sofrendo de uma nova infecção respiratória "grave" em um hospital militar de Caracas.

O presidente, de 58 anos, não tem sido visto em público nem ouvido desde que foi submetido a uma cirurgia em Cuba em 11 de dezembro, sua quarta operação desde que a doença foi detectada em sua área pélvica, em meados de 2011.

"A vontade de Deus será feita. Estamos apenas orando por ele, como sempre fizemos", afirmou Maria Fernandez, de 33 anos, que trabalha como voluntária em um escritório do Partido Socialista, que ocupa a antiga casa de Chávez na aldeia rural de Sabaneta, onde ele cresceu.

Várias dezenas de pessoas se reuniram de manhã cedo na capela católica no hospital militar onde Chávez passou as últimas duas semanas desde que voltou de Cuba. Alguns rezaram em voz alta, enquanto outros choraram em silêncio.

O governo tem dito repetidamente que ele está lutando por sua vida. Apesar de poucos detalhes médicos, funcionários disseram que ele está respirando através de um tubo traqueal, incapaz de falar, e passando por uma nova rodada de tratamento de quimioterapia.

O governo está furioso com a especulação, particularmente entre a mídia pró-oposição, de que Chávez pode já estar morto. O líder da oposição Henrique Capriles acusou repetidamente o vice-presidente Nicolas Maduro e outros de mentir sobre a condição de Chávez.

"AGRAVAMENTO" DA CONDIÇÃO

Chávez sofreu várias complicações após a cirurgia de 11 de dezembro, incluindo sangramento inesperado e uma infecção respiratória grave, que autoridades disseram que havia sido controlada.

"Hoje, há um agravamento de sua função respiratória, relacionado com o seu sistema imunitário enfraquecido. Há agora uma infecção nova, grave", disse o ministro da Informação, Ernesto Villegas, na noite de segunda-feira.

"O comandante-presidente permanece apegado a Cristo e à vida, consciente das dificuldades que está enfrentando, e cumprindo rigorosamente o programa criado por sua equipe médica."

Chávez passou por várias rodadas cansativas de quimioterapia e radioterapia, que às vezes o deixaram careca e inchado. Ele declarou-se duas vezes erroneamente curado.

A única imagem divulgada dele desde sua última operação foram quatro fotos publicadas pelo governo, enquanto ainda estava em Havana, que o mostraram deitado em uma cama de hospital.

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