Partidários de Evo Morales atacam emissoras de televisão

Para eles, meios de comunicação são responsáveis pela violência que matou 4 pessoas em Sucre

Efe,

27 de novembro de 2007 | 00h59

As instalações em La Paz de vários canais de televisão foram atacadas e apedrejadas nesta segunda-feira, 26, por grupos de pessoas que gritavam palavras de ordem em favor do presidente Evo Morales e contra "a oligarquia", segundo imagens mostradas pelos meios de comunicação atingidos. Veja também:Evo Morales lidera passeata em meio a tensões na BolíviaConfrontos em Sucre fazem quarta vítima; dia segue tranqüiloProtestos matam 3; Evo confirma Constituição Líderes pedem fim de protestos As agressões aconteceram depois que vários oradores, em uma manifestação a favor de Morales e liderada pelo próprio presidente, acusaram os meios de comunicação da violência que causou quatro mortos e 300 feridos durante o fim de semana em Sucre. O alvo dos ataques mais graves desta noite foi a sede da rede Unitel, cujos vidros foram quebrados. A emissora pertence a empresários da região oriental de Santa Cruz, que Morales vem chamando de "rebeldes" e "oligarcas". Todos os funcionários da empresa, inclusive os jornalistas, fugiram pelo teto e pelas portas laterais do prédio, disseram à Efe os seguranças do edifício. A Unitel passou a transmitir a partir de Santa Cruz, onde há uma forte oposição política e empresarial ao governo Morales. Outros grupos se manifestaram em frente ao canal ATB, que pertence ao grupo espanhol Prisa, e à rede PAT, de empresários de Santa Cruz. Mas nos dois casos só houve ameaças e insultos, sem danos físicos. Os grupos também ameaçaram emissoras de rádio, entre elas a Pan-americana e a Fides, pertencente à Igreja Católica. A Unitel entrevistou por telefone o Defensor público Waldo Albarracín, que está na África do Sul. Ele disse que é hora de "pôr um freio" nos ataques, porque a imprensa "não tem culpa pelas controvérsias políticas", nem de as notícias serem boas ou más, ou "agradarem ou desagradarem a uma autoridade". O vice-ministro para os Movimentos Sociais, Sacha Llorenti, afirmou que as pessoas que atacaram a imprensa não são partidárias do governo e condenou "de maneira categórica" os incidentes. No entanto, nesta segunda-feira, Morales liderou um comício junto ao Palácio do Governo de La Paz, em que vários dirigentes sindicais fizeram ameaças e advertências aos meios de comunicação em seus discursos. "Basta de meios de comunicação vendidos ao neoliberalismo, que não defendem os interesses das maiorias, e sim os seus interesses comerciais", afirmou o líder da Central Operária de El Alto, Edgar Patana. "Por isso dizemos que depois de uma análise e de um relatório que descerá às bases, El Alto vai assumir todos os meios de comunicação", ameaçou o sindicalista.

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