Partidários e opositores de Chávez se enfrentam no Chile

Confronto ocorreu em frente à Embaixada da Venezuela no país, pouco antes de presidente cancelar visita

Agências internacionais,

08 de novembro de 2007 | 15h08

Partidários e opositores do presidente Hugo Chávez se enfrentaram nesta quinta-feira, 8, em frente à Embaixada da Venezuela em Santiago, pouco antes da chegada do venezuelano para a Cúpula Ibero-americana, que começa nesta noite em Santiago. O venezuelano cancelou a viagem horas após o incidente, alegando a situação no país.   Veja também: Grupo armado entra em confronto com manifestantes anti-Chávez na Venezuela Chávez é está entre os cinco homens mais sexy da Venezuela Uribe diz que Chávez não participará de cúpula no Chile   Os incidentes começaram quando um grupo de jovens, ao lado do deputado chileno da ultraconservadora União Democrata Independente (UDI), Iván Moreira, tentou entregar uma carta na qual declaram como "persona non grata" o presidente Chávez.   Na embaixada estavam partidários do venezuelano, os quais responderam com ameaças contra o deputado, que teve de ser protegido pela polícia. A crise causada pela ida de Chávez ao Chile foi mais um motivo que teria feito com que o presidente cancelasse sua participação na Cúpula, segundo informou o alto comissário para a Paz da Colômbia, Luis Carlos Restrepo, nesta quinta.   A causa principal, porém, é o violento conflito entre estudantes e um grupo armado na Venezuela que deixou 11 feridos.   Na última quarta-feira, estudantes contrários à reforma constitucional aprovada pela Assembléia Nacional saíram às ruas para pedir ao Supremo Tribunal o adiamento do referendo necessário para que a proposta política de Chávez seja posta em prática. Quando os jovens retornavam para a Universidade Central da Venezuela (UCV), um grupo armado invadiu a Faculdade de Serviço Social e agrediu alguns dos manifestantes anti-Chávez.   "Ele tinha previsto um encontro do presidente (colombiano Álvaro) Uribe com Chávez na Cúpula de Santiago, mas o presidente Chávez e o chanceler Nicolas Maduro nos disseram que o presidente não vai estar presente nesta cúpula, aparentemente por causa da situação interna em seu país", disse Restrepo.   "A justificativa que nos deram se refere à situação interna e às responsabilidades que o presidente Chávez tem em relação à dinâmica política de seu país", acrescentou em referência às manifestações estudantis em rejeição à reforma constitucional.   Violência na universidade   A violência na Venezuela, na quarta, começou no momento em que os estudantes que regressavam de uma marcha ao Supremo Tribunal de Justiça souberam que um ônibus da Universidade Rómulo Gallegos de Guárico havia sido queimado. Os jovens teriam se apressado para saber o acontecera.   Segundo o reitor da UCV, Eleazar Narváez, uma pessoa que se apresentou como estudante de sociologia foi detida pelos seguranças da universidade pois seria o responsável pelo ataque contra o ônibus. Em seguida, homens encapuzados e armados teriam forçado o resgate do estudante suspeito, refugiando-se na faculdade de Serviço Social.   Professores, trabalhadores e estudantes teriam sido feitos reféns pelo grupo armado. O reitor Narváez foi chamado para negociar, mas teve que fugir do local após a chegada de "50 motoqueiros armados que começaram a disparar contra os que estavam ao redor do edifício".   Ele teria pedido a mediação do ministro do Interior, Pedro Carreño, a quem protestou contra a presença dos homens armados, uma vez que a UCV estava sendo protegida por homens da Polícia Metropolitana.   O cerco terminou após a intervenção do chefe de Proteção Civil, Antonio Rivero. Ainda não está claro se o grupo armado era de fato formado por partidários do governo, como acusam os estudantes. Segundo Sánchez, no entanto, eles seriam do "'Coletivo Alexis Vive', um grupo delinqüentes pagos e armados pelo governo".

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