Reuters/Palácio de Miraflores
Reuters/Palácio de Miraflores

Partido aliado rompe com Chávez após receber críticas do presidente

Governante chamou dirigentes do PPT de 'traidores' e afirmou que partido será derrotado nas eleições

Associated Press,

19 Maio 2010 | 18h49

CARACAS- O presidente Hugo Chávez criticou nesta quarta-feira, 19, os dirigentes de um partido que se distanciou do governante, acusando-os de se unirem à oposição para as eleições legislativas de setembro.

 

Chávez criticou duramente o Pátria Para Todos (PPT), partido de esquerda que apoiava o governo, chamando seus líderes de "traidores" e advertindo que os candidatos apresentados por essa organização agora dissidente seriam derrotados nas eleições de 26 de setembro, por terem abandonado seus princípios revolucionários.

 

"Eles se aliaram com a direita", disse Chávez, se dirigindo aos membros de seu partido, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). "Que lá fiquem os reformistas, aqui estão os verdadeiros revolucionários (...). Se converteram em uma casca reformista, condenada ao nada", opinou. "Os traidores serão derrotados", ameaçou.

 

A inimizade entre Chávez e o PPT começou há meses, mas a ruptura definitiva ocorreu nesta quarta, depois que Chávez deus as boas vindas à membros desse partido e condenou seus dirigentes por rechaçarem formar uma aliança com o PSUV nas eleições legislativas, devido a atitude intransigente do governante.

 

O PSUV, fundado por Chávez, tentou fazer acordos com outros partidos pró-governo para evitar enfrentar muitos candidatos e ter de dividir os votos a favor de Chávez.

A ruptura é importante, segundo alguns analistas, porque pode dividir os votos de Chávez em algumas regiões.

 

O líder já advertiu seus aliados em várias ocasiões que uma vitória da oposição nas eleições seria um golpe devastador em seus esforços para transformar a Venezuela em um Estado socialista. Segundo Chávez, os adversários podem vetar leis propostas por seu partido.

 

Os partidários do presidente contam atualmente com uma maioria imbatível na Assembleia Nacional, já que quase todos os partidos de oposição boicotaram as eleições anteriores, em 2005.

 

A oposição decidiu participar dessa vez, e tem como objetivo apresentar um candidato único para cada cadeira em disputa.

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