Partido de Correa terá 77 cadeiras na Constituinte, diz pesquisa

Ao comentar resultado, presidente afirma que equatorianos ganharam a principal batalha

Efe,

01 de outubro de 2007 | 00h47

O partido Aliança País, do presidente equatoriano, Rafael Correa, obteve ampla vantagem na eleição da Assembléia Constituinte, segundo pesquisas boca-de-urna, e deve eleger 77 representantes entre os 130 do plenário. Ao comentar a pesquisa, Correa declarou no domingo, 30, que os equatorianos ganharam "a mãe de todas as batalhas". Mais de 9,3 milhões de equatorianos foram às urnas para escolher entre 3.224 candidatos. Dos 130 constituintes, 24 seriam eleitos nacionalmente, 100 nas províncias e 6 pelo voto no exterior. A votação transcorreu com "normalidade", segundo observadores. A pesquisa do instituto Market indicou que o Aliança País teria até 68 cadeiras, seguido pelo Partido Sociedade Patriótica, do ex-presidente Lúcio Gutiérrez, com 17. O Partido Renovador Institucional de Ação Nacional (Prian), do magnata Álvaro Noboa (derrotado por Correa nas eleições de 2006), ficaria com 12 cadeiras. Com 9 constituintes, aparece o conservador Partido Social Cristão. O esquerdista Movimento Popular Democrático, aliado de Correa, teria 8 cadeiras. Outra pesquisa boca-de-urna, da SP-Investigaciones y Estudios, indicou que das 24 cadeiras de circunscrição nacional, entre 14 e 15 iriam para o Aliança País, duas para o Sociedade Patriótica e uma ou duas para o Prian. O Partido Social Cristão, o Movimento Popular Democrático, o Movimento RED e o grupo conservador UN teriam uma cada. Segundo a SP, a Esquerda Democrática também estaria brigando por uma cadeira nacional. Declarações do presidente Correa, após assegurar que aceita a "vitória com suprema humildade e responsabilidade", disse ser consciente de que não se pode desacreditar a mudança que surge a partir da Assembléia. Para Correa, neste domingo "se cristaliza um sonho de cidadãos por um futuro melhor para a pátria", e em discurso no Palácio do governo parabenizou o povo pela forma "pacífica" como ocorreu a votação. "Esta foi uma eleição limpa, democrática, eficiente e transparente", disse Correa. "As projeções são claras, a vitória da população é inquestionável". De acordo com o presidente, na Assembléia ninguém procura "projetos totalitários", nem estrangeiros ou "agendas ocultas". Em entrevista coletiva, Correa disse que na Assembléia dialogará "com todos os grupos que busquem sinceramente levar a pátria adiante", mas prometeu não titubear. Ele anunciou que, da segunda-feira em diante, haverá oficinas entre seus constituintes para iniciar os trabalhos. As exceções serão os irmãos Gilmar e Lúcio Gutiérrez (ex-presidente), do Partido Sociedade Patriótica (PSP), e o milionário Álvaro Noboa, do Partido Renovador Institucional Ação Nacional (Prian), com os quais Correa não negociará "por questão de decência". Congresso O presidente afirma que foi a população e não seu partido que venceu nas eleições. Ele confirmou que colocará o cargo à disposição da Assembléia e reiterou que o Congresso deve ser dissolvido, "porque demonstrou que não está à altura do momento histórico". "O Congresso terá que se dissolver, entrar em recesso, como quiserem chamar. Mas, enquanto funcionar a Assembléia, o Congresso não funcionará. Terá que ser estabelecida uma comissão legislativa para legislar e fiscalizar", anunciou. Correa acrescentou que alguns cargos de alto escalão do governo também terão que ser revistos. Para ele, os demais poderes do Estado, em reciprocidade, também deveriam pôr à disposição seus cargos perante a Assembléia. Embora assegurando que sempre foi "otimista", Correa presume que seu partido terá 80 cadeiras, o que significou uma "imensa surpresa". O presidente do Equador espera que Alberto Acosta, que chama de "entranhável amigo", seja eleito para presidir a Assembléia Constituinte. A instituição será instalada na cidade de Montecristi, no mês que vem. Entre os temas prioritários da Assembléia estão a reforma política e uma nova modalidade de representação e regulação dos bancos. A possível reeleição presidencial imediata é outro assunto considerado importante, mas que Correa desmereceu. Após o virtual triunfo, o chefe de Estado disse que falará com representantes dos bancos para fazer baixar as taxas de juros, uma bandeira que perdeu recentemente no Congresso. Ele assegurou que serão estudados assuntos relacionados com a integração e a importância de entidades como o Banco do Sul (proposta de banco regional para a América do Sul), para evitar dependência dos tradicionais organismos de crédito internacionais. Correa afirmou que a população "derrotou aos mesmos de sempre", em referência aos políticos tradicionais, a quem ele atribui os males do país e que tiveram pouco apoio nas urnas, segundo a boca-de-urna. O presidente esclareceu que, se o povo, em referendo, não aprovar a nova Constituição que será redigida, a atual continuará em vigor. "Nós nos submeteremos à vontade do povo equatoriano. Resolveremos todas as coisas com mais democracia", concluiu Correa.

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