Partido de Evo rechaça Constituição proposta pela oposição

Apoiadores do presidente afirmam que texto dos governadores é ilegal e incompatível com proposta do governo

Agências internacionais,

14 de janeiro de 2008 | 11h43

Após uma reunião com o presidente Evo Morales, a bancada de membros da Assembléia do MAS, partido socialista do presidente do país, rechaçou a possibilidade de compartilhar o texto da nova Constituição do país com os estatutos autônomos de quatro regiões. Segundo a edição desta segunda-feira do jornal La Razón, os textos foram considerados "ilegais, anticonstitucionais e incompatíveis" com o projeto do governo.  Na semana passada, Evo afirmou que poderia revisar a proposta de nova Carta para apaziguar a crise política. Quatro das nove Províncias bolivianas declararam-se autônomas para proteger o que vêem como sua parte dos fundos provenientes de recursos naturais e para protestar contra uma nova versão da Constituição adotada por aliados do presidente. A comunidade internacional pede aos dois lados para que cheguem a um acordo.  Em nota, os membros do partido de Evo sugeriram que os "prefeitos de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija manifestem publicamente as supostas contradições da nova Constituição e que as apresentem para a consideração da Assembléia".  Para María Lourdes Vaca, principal delegada do governo de Tarija, a discussão com o governo se encaminha para um "diálogo de surdos", porque o governo e o MAS não aceitam mudanças em seu projeto. Constituição O projeto, que ainda deve ser submetido a referendo popular antes de entrar em vigor, foi aprovado sem a presença do principal partido de oposição, o que gerou críticas e protestos. Segundo a BBC, um dos artigos permite a reeleição do presidente. Pelo texto aprovado, o atual presidente, Evo Morales, cumpriria os quatro anos atuais de seu mandato e poderia ser reeleito por mais cinco anos e reeleito novamente por outros cinco anos. O argumento é o de que, com a nova carta em vigor, não seria considerado o mandato atual.  A nova Constituição prevê ainda a "industrialização" dos hidrocarbonetos, com as petroleiras estrangeiras trabalhando para a estatal YPFB. A oposição afirma que a nova carta aumentará o poder do governo central sobre as demais instituições, como o Poder Judiciário e o Tribunal Constitucional. Depois da aprovação da nova Carta Magna pela Assembléia Constituinte, os Estados de Santa Cruz de la Sierra, Tarija, Beni e Pando, onde se concentra a maior parte da oposição ao presidente Evo Morales, aprovaram estatutos prevendo sua autonomia do governo central. No referendo realizado em julho de 2006, o "Sim" à autonomia já havia sido maioria nesses Estados.

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