Passeata contra as Farc é realizada em 131 cidades do mundo

Convocação em site de relacionamento reúne milhares contra a guerrilha colombiana

EFE

04 de fevereiro de 2008 | 15h09

Uma manifestação internacional sob o lema "Não às Farc" (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) toma as ruas de 131 cidades de todo o mundo nesta segunda-feira. 4, após uma convocação feita pela internet.   Venezuela articula operação de resgate de reféns Colombianos que vivem em Manaus protestam contra as Farc Um analista de sistemas da cidade colombiana de Barranquilla, Oscar Morales Guevara, lançou a campanha "Um milhão de vozes contra as Farc" no site de relacionamentos Facebook, conseguindo um feito inédito pela internet na Colômbia.A cada dia, quinze novas pessoas aderiam ao grupo até ele crescer e alcançar 250 mil associados, viabilizando a organização do ato. Apesar de os organizadores rejeitarem qualquer politização da manifestação contra as Farc, a convocação não obteve a unanimidade buscada. Ángela de Pérez, esposa de Luis Eladio Pérez, que junto com os ex-congressistas Gloria Polanco e Orlando Beltrán serão libertados pela guerrilha, confirmou que sua família não participará das passeatas, por considerarem os atos "polarizados" e "politizados". Enquanto os partidos Social de Unidade Nacional e o Conservador, ambos fiéis ao presidente Álvaro Uribe, e o Liberal, de oposição, anunciaram que participarão da passeata, o esquerdista Pólo Democrático Alternativo (PDA) preferiu convocar outra manifestação na Praça Bolívar. O PDA se concentra sob o lema "Pelo acordo humanitário: não à guerra, não ao seqüestro", manifestação aderida por sindicatos. À manifestação se somam, além de instituições do Estado, vários municípios e praticamente toda a imprensa. O protesto também encontrou outros opositores, como a comunidade indígena paez, que ganhou em 2001 o Prêmio Equatorial do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Segundo os indígenas, o ato foi convocado unicamente contra as Farc e não contra todos os atores do conflito armado interno e suas práticas criminosas. Os parentes dos militares e policiais reféns dos insurgentes, da Associação Colombiana de Parentes de Policiais Retidos por Grupos Guerrilheiros (Asfamipaz), preferiram assistir a um ato litúrgico na Igreja do Voto Nacional, em Bogotá, em vez de participar do protesto, disse sua porta-voz, Marlene Orjuela.  A Igreja Católica da Colômbia uniu-se ao protesto no dia 28 de janeiro com um comunicado da Conferência Episcopal no qual convocava "todos os colombianos a aderiram à mobilização nacional de 4 de fevereiro para expressar, pacificamente, sua rejeição total ao seqüestro e seu desejo de paz e de reconciliação". Espera-se que dezenas de milhares de manifestantes dos Estados Unidos, da União Européia (UE) e de muitos outros países se reúnam para condenar o "terrorismo" das Farc e exigirem a libertação dos reféns. "Queremos que a comunidade internacional condene energicamente o terrorismo das Farc. É uma oportunidade para que todos, sem importar sua ideologia política, condenem as ações da guerrilha", disse a coordenadora da passeata em Washington, Laura Busche. Também são esperadas manifestações na Espanha, onde o coordenador de Madri, Camilo Garavito, disse que as cidades de Barcelona, San Sebastián, Bilbao, Valencia, Oviedo, Salamanca e Las Palmas de Gran Canaria, entre outras, se unirão ao protesto. O debate no Facebook se dá entre aqueles a favor de focalizar o protesto contra as Farc e os que defendem a generalização da passeata contra todo tipo de violência na Colômbia, tanto dos guerrilheiros como das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) e do Exército de Libertação Nacional (ELN). Diante desse impasse, os organizadores do protesto disseram em seu site (www.colombiasoyyo.com) que a mensagem é unicamente contra as Farc porque, se não for assim, a manifestação "perde seu sentido". Além disso, o ELN "mantém diálogo com o Estado colombiano, as AUC foram desmanteladas e os grupos paramilitares que não se renderam são relativamente pequenos e não pretendem buscar legitimidade internacional". Em sua página na internet, os organizadores dizem que essa passeata é tanto para aqueles que preferem uma solução militar ao conflito como para os que desejam uma negociação, já que tanto um quanto o outro são unânimes quanto à rejeição da existência das Farc. Os organizadores sabem que as Farc vão ignorar a manifestação e afirmam em seu site que não são tão ingênuos a ponto de pensar que apenas porque 1 milhão ou 40 milhões de colombianos sairão às ruas a guerrilha decidirá se desmobilizar e se render. Contudo, consideram que "é importante que a comunidade internacional saiba que não apoiamos às Farc e não os consideramos nosso Exército do povo".

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