Passeata contra García e a corrupção reúne milhares no Peru

Milhares de peruanos foram às ruas na terça-feira contra o governo de Alan García, uma dia depois da renúncia do ministro da Energia devido a um escândalo de manipulação das concessões para a exploração de petróleo. A Confederação Geral dos Trabalhadores do Peru (GGTP) exigiu uma reforma ministerial e uma revisão do modelo econômico neoliberal, que segundo críticos não conseguiu conciliar o crescimento econômico com a redistribuição de renda. "Algo cheira mal", disse o dirigente sindical Mario Huaman. Manifestantes levavam cartazes dizendo que o partido de García está "corrupto como sempre". Os protestos, ocorridos em várias cidades, estavam planejados semanas antes do surgimento do escândalo, na noite de domingo. Mas eles refletem a frustração com o governo García e o temor de que a crise financeira internacional afete o país. A taxa de aprovação do presidente caiu para 19 por cento, segundo o instituto Ipsos Apoyo, e a maior queixa dos peruanos é a corrupção. O novo caso levou à demissão do ministro Juan Valdivida e de dois outros funcionários de alto escalão do setor. Um deles, Alberto Quimper, da agência reguladora Perupetro, apareceu numa gravação de áudio, divulgada num programa de TV, aparentemente aceitando favorecer a pequena empresa norueguesa Discover Petroleum num leilão de concessões. Um dirigente do partido governista Apra, Rómulo León, também era ouvido na gravação. A Discover, em parceria com a estatal Petroperú, recebeu em setembro o direito de explorar cinco blocos, mas o Ministério da Justiça suspendeu o leilão. "Não tenho dúvidas de que há mais, ninguém deve achar que se trata de um caso isolado", disse o jornalista e ex-ministro do Interior Fernando Rospigliosi por uma rádio. García agiu rapidamente para conter o estrago e exigiu punições exemplares aos corruptos. Mas na terça-feira a Discover jogou lenha na fogueira ao divulgar uma nota afirmando ter feito pagamentos diretos a León e indiretos a Quimper, que foi subcontratado pelo escritório de advocacia da Discover para prestar consultoria tributária. A Discover diz ter pago, entre maio e outubro, 63.750 dólares a León e 60 mil ao escritório que contratou Quimper. A empresa não esclareceu se sabia que Quimper, além de consultor tributário, era membro da direção de Perupetro. Mas a empresa negou ter pago subornos. "O processo de licitação completamente aberto e transparente, e não poderia ter sido influenciado por eventuais subornos", disse a empresa. "O fato de que esses indivíduos estivessem sendo monitorados sob a suspeita de corrupção já antes que tivéssemos quaisquer interesses empresariais no Peru indica que nós é que fomos enganados", acrescentou a nota. (Reportagem adicional de Carlos Valdez)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.